21 junho 2011

Alcoolismo - O pobre é pinguço, o rico é boêmio



O pobre é pinguço, o rico é boêmio


Antes de mais nada, quero revelar que sou um alcóolatra adormecido. Isso significa que bebi descontroladamente durante muitos anos. Em conseqüência, perdi emprego e amigos, abandonei a família, fui morar na rua e quase bati as botas.
Um dia, porém, parei de beber. E lá se vão quase 05 anos que não ingiro nada que contenha álcool.
As experiências que tive, tanto na ativa quanto na reserva do alcoolismo, não me conferem qualquer diploma de autoridade no assunto. Mas me dão o direito de expor o meu ponto de vista sobre esse mal que mata mais do que o fumo e infartos.

Caídos Nas Calçadas

Costuma-se associar alcoólatras com a classe pobre. A sociedade os rotula como pinguços, bêbados, safados ou pau-d’águas. Eles estão caídos nas calçados ou abraçados a postes.
Embora inexistam estatísticas oficiais, posso asssegurar que há muitos alcoólatras na classe média, média alta e rica. A diferença é que estes são chamados de boêmios e tombam nos tapetes persas de suas belas casas, apartamentos de luxo ou mansões.
A situação é mais ou menos a mesma quando se trata de criminosos. Os traficantes da favela, por exemplo, geralmente vão presos usando apenas calções ou sungas. São colocados em celas superlotadas ou então somem misteriosamente.
Por sua vez, os traficantes abastados, quando presos, estão vestidos com ternos feitos sob medida, bem barbeados e perfumados. Vão para prisões especiais e, com raríssima exceções, em um ou no máximo dois dias ganham a liberdade.

Problemas Financeiros

Voltando ao alcoolismo, costuma-se dizer que uma pessoa bebe descontroladamente, em razão de problemas financeiros, de personalidade, de conflitos emocionais e por aí vai.
Esses fatores, em alguns casos, podem levar certas pessoas a enfiar goela adentro altas doses de cerveja, uisque ou cachaça pura, dependendo de quanto dinheiro elas têm no bolso.
No entanto, eles não explicam por que algumas delas, a partir daí, iniciam uma desastrosa carreira alcoólica e outras não. Portanto, os fatores em questão não são, na minha opinião, as causas primordiais do alcoolismo.
E quais são, você perguntará? A meu ver, são duas: o gostar de beber e uma pré-disposição orgânica (talvez de origem genética) para consumir álcool aos borbotões.
Para o alcoólatra, a bebida, em princípio, gera benefícios. Se for uma pessoa tímida, logo estará folgazão. Se for alguém que tem medo de se envolver em uma briga física, logo contará bravatas e se comportará como uma fera.

Círculo Vicioso

Dá para perceber que daí em diante se formará um circulo vicioso: o beber, a reação legal ao ato e, portanto, o beber mais, até que o indivíduo nessa condição desenvolva uma dependência física.
Eu uma das reuniões da irmandade Alcoólicos Anônimos,  ouvi uma historinha muito interessante.
Cinco adolescentes foram junto a uma festa no carro de um deles e tomaram umas e outras. Quando aacabou a farra o dono do carro tinha desmaiado, três cambaleavam. Apenas um que bebeu tanto quantos os outros pegou o o volante e deixou cada um de seus amigos suas respectivas casas.
Se você estivesse presente à cena, poderia dizer que tinha vistos quatro bêbados e uma rapaz responsável. Eu diria ao contrário: vi quatro bebedores normais e um alcoólatra.

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