24 junho 2011

Alcoolismo - Um mal ainda sem cura

Alcoolismo
Um mal ainda sem cura


 Uma doença incurável, progressiva e fatal. É assim que o psicólogo José Carlos de Camargo define o alcoolismo. Há dez anos trabalhando com dependentes químicos no Centro de Atendimento Psicológico (Caps) da Secretaria Municipal de Saúde de Joinville, ele diz que não existe cura para o alcoolismo. "Existem alcoolistas em abstinência", revela.
Segundo Camargo, o organismo produz enzimas que absorvem e eliminam o álcool e quanto mais a pessoa bebe, maior a produção da enzima. "Chega um ponto em que o organismo sente a necessidade do álcool", diz o psicólogo, explicando o processo que desencadeia a dependência química.
Uma pesquisa realizada anualmente pelo Conselho Municipal de Entorpecentes, em parceria com as secretarias municipais de Saúde e Educação, revela que 54,5% dos dependentes químicos atendidos no Caps em 1998 são alcoólatras. "Os outros associam o álcool com diferentes drogas", informa.

Primeiro porre

Mas, estes não são os dados mais alarmantes. Um levantamento feito com 800 alunos de 5ª e 6ª séries em escolas da rede pública e particular de ensino do município revelou que cerca de 70% dos entrevistados tomou o primeiro porre aos 7 anos. "Isso não significa que eles tenham se tornado dependentes, mas o fato de terem acesso a tanta bebida já na infância é absurdo", avalia o psicólogo
E, se até hoje os homens lideraram o ranking dos dependentes, o futuro promete mudanças. Dos 1,1 mil alcoólatras atendidos no Caps em 1998, apenas 12,8% eram mulheres. José Carlos Camargo garante, porém, que as meninas "estão passando a perna nos rapazes" e o consumo de álcool e até outras drogas têm aumentado entre elas. "As estatísticas devem sofrer uma inversão nos próximos anos", prevê.
Na avaliação do psicólogo, a linha que separa o bebedor social do dependente químico é muito tênue. "Nossa sociedade é hipócrita e pressiona o consumo de bebidas. O acesso ao álcool é fácil. Independente da condição financeira, os pais bebem em casa e, além disso, a bebida é culturalmente aceita e estimulada", critica, enquanto revela: "Já atendi uma criança de 9 anos com dependência severa".

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