30 setembro 2011

Alcoolismo - Dicas para manter seu filho longe do álcool



Dicas para manter seu filho longe das drogas e do álcool

fonte
Clínica Grand House


Existe uma lei que proíbe o consumo de álcool a menores de 18 anos. E, sendo lei, deveria ser respeitada também dentro de casa. A lei não existe em vão: o organismo do adolescente reage de maneira distinta ao do adulto. Em excesso, o álcool e outras drogas podem levar a danos no cérebro que acabam danificando a memória e o aprendizado. Como o álcool e outras drogas agem em todos os neurotransmissores cerebrais, ele atrapalha todo esse processo. O adolescente fica muito mais predisposto a ter problemas de percepção e discernimento e, por isso, não consegue distinguir situações de risco, acaba tendo dificuldades no trabalho, nos estudos, e assim por diante.
Mas, uma cervejinha ao adolescente causa tantos danos?
Um dado alarmante é que pesquisa indicam que o inicio da utilização de substâncias ilícitas geralmente ocorre entre as idades de 13 a 16 anos. 50% dos estudantes entre 10-12 anos já usaram bebidas alcoólicas. O risco é em torno de 200% maior do uso de cigarros, álcool e outras drogas entre a 8ª serie e 2º ano do ensino médio. O risco de usar maconha é 65 vezes maior para pessoas que fumam ou bebem. O risco de usar cocaína é 104% maior para pessoas que usam maconha. Portanto, uma cervejinha combinada com outros fatores de risco, podem sim causar danos ao adolescente.
Os danos podem tornar-se irreversíveis e podem deixá-los mais propensos a serem adultos com dependência química.
E o que tem os pais a ver com isto?
O problema é que muitos pais toleram uma bebidinha dos filhos, e o que é pior, às vezes, até oferecem – afinal já estão se tornando “quase” adultos.
Como especialista no assunto, já tive contato com pais que, às vezes, chegam ao consultório aflitos porque o filho fuma um cigarro de maconha, porém acham normal que ele tome um porre todo fim de semana. 
Porque os jovens caem no excesso?
Existem várias causas, que podem ir desde até a curiosidade, a tendência a repetir modelos dos adultos, dos amigos, a solidão, a carência, a necessidade de afirmação, a necessidade de aventura ou de correr riscos, a busca de algo que sirva para modificar suas emoções, falta de perspectiva, fuga de situações caóticas e até o mau exemplo ou maus tratos em casa, originado pelos próprios pais.
Mas, afinal o que devemos fazer para manter nossos filhos longe do alcoolismo e da adicção a outras drogas?
  • Em primeiro lugar, dê o exemplo. Beba com muita moderação, ou melhor: se possível, evite beber na presença do seu filho.
    O que seria beber com moderação? O limite do saudável, para adultos de peso e de estatura médias e sem doenças crônicas, é de três copos de vinho, ou três latas de cerveja ou 250 ml de destilados. Para mulheres, dois copos de vinho ou duas latas de cerveja.
  • Não permita que menores bebam, nem em ocasiões especiais como a festa de casamento de um parente ou natal e ano novo. Explique que é bebida de adultos e que deve ser ingerida com muito controle.
  • Jamais peça para o seu filho adolescente ir à padaria ou bar lhe comprar qualquer tipo de bebida, seja em virtude de festa ou qualquer outro motivo. Quando ignora isto, você abra a porta para que eles também experimentem.
  • Ajude seu filho a superar suas dificuldades através do afeto, esteja presente na sua vida, faça-o sentir-se amado.
  • Direcione seus filhos ao esporte e atividades artísticas (canto, música etc) – atividades físicas e artísticas são uma boa saída e proporcionam sensação (saudável) de prazer – além de ocupar a mente e seu tempo.
  • Deve ser dada à criança e ao adolescente a possibilidade de aprender a ser independente na hora certa e ter responsabilidades – porém sem pressioná-la além das suas capacidades.
  • Os pais devem mostrar apreciação e interesse em relação às coisas que os seus filhos estejam fazendo, mesmo que pelos padrões deles, elas não sejam tão interessantes ou importantes.
  • Saiba com quem seu filho anda, os lugares que freqüentam, os amigos que o rodeiam. Busque conhecer melhor os amigos do seu filho e os pais deles. Só no convívio é possível descobrir se algum consome drogas. Não aconselho aos pais a quererem fazer “parte” da turma e se infantilizar. O papel dos pais é colocar limites, acolher e monitorar os filhos.
  • Tenha um ambiente saudável em casa. Se em seu lar não existe respeito, se existe violência, grandes conflitos ou qualquer tipo de situação caótica, está na hora de rever tudo isto e mudar esta situação – antes que seja tarde.
  • Procure não deixar que sua família se torne um “grupo de estranhos” que só estão próximos fisicamente. Mantenha proximidade com o seu filho, converse, participe da vida dele.
  • Seu filho não precisa ter tudo o que ele quer, precisa aprender a lidar com a frustração para criar maturidade e aprender a valorizar seus ganhos.
  • É importante a orientação e valorização espiritual, pois ela é muito para ajudar seu filho a não cair na cilada das drogas. A religião pode significar um sistema representacional de fé e dogmas consistentes, por meio do qual uma pessoa busca conduzir  sua vida de conduta de maneira mais espiritual.  Segundo Carl Young, ao exercer a religiosidade, o indivíduo busca um objeto de “culto” para que ele possa decolar a sua energia e exercer a sua devoção. Aconselhamos a todos que pratiquem a espiritualidade tanto na vida pessoal quanto no meio terapêutico, pois sabemos que é não possível dissociar a alma, o corpo e o espírito.
  • Fique alerta a mudanças de comportamento do seu filho: perda de peso, deterioração do relacionamento com a família, queda no rendimento escolar, irritabilidade sem motivo, isolamento, sumiços repentinos, variação do humor, letargia, apatia, desinteresse – estes podem ser claros indícios da dependência química já estabelecida.
Se você realmente detectar que seu filho está consumindo álcool ou drogas, não perca tempo, não deixe o problema se agravar. Busque auxílio imediatamente, seja com especialistas do setor, como em grupos de ajuda ou clínicas especializadas.
Sergio Castillo
Diretor Terapêutico Clínica Grand House



29 setembro 2011

Alcoolismo - Lute e vença a doença

Vença a batalha contra o alcoolismo
Responsável por mais de 350 doenças, o álcool traz sérios problemas para 10% da população. O primeiro passo para superá-lo é reconhecer a dependência




Cada vez mais cedo 
Pesquisa realizada pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas da Universidade Federal de São Paulo (Cebrid/Unifesp) concluiu que 90,3% das internações hospitalares por dependência de drogas ligam-se ao abuso de álcool, que é ainda o maior motivo de demissões, a terceira causa de aposentadoria por invalidez e o maior fator de influência nos episódios de violência doméstica. O estudo informa ainda que o índice de suicídios é 58% superior entre os alcoólatras e que aos domingos, dia da semana em que as pessoas costumam beber mais, aproximadamente 15 milhões de indivíduos se embriagam no Brasil.
O álcool é a droga mais consumida no planeta. O excesso prejudica praticamente todos os órgãos e sistemas do corpo e pode causar de uma simples dor de cabeça até a morte
Entre os jovens o problema também tem proporções alarmantes. O primeiro contato com a bebida ocorre aos 11 anos, antes do cigarro (12 anos), da maconha (13 anos) e da cocaína (14 anos). Um estudo com 15.503 estudantes de 1o e 2o graus, em dez capitais do país, realizado também pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), aponta que:
 65% dos estudantes do Ensino Fundamental (5a à 8a série) e do Ensino Médio já ingeriram bebidas alcoólicas
.  50% dos alunos com idade entre 10 e 12 anos já experimentaram álcool.
 28,6% beberam pela primeira vez em casa e, em 21,8% dos casos, a bebida foi oferecida pelos pais.
 23,81% dos entrevistados ingeriram álcool por pressão dos amigos.
 28,9% já ficaram bêbados. 
 
11% brigaram depois de beber.
 19,5% já faltaram à escola tendo como principal causa o excesso de bebida.
"Tudo começou aos 12 anos"
 
"Minha história com o alcoolismo começou cedo, aos 12 anos. Na época, minha irmã tinha um namorado que bebia muito e um dia ele consentiu que eu experimentasse refrigerante com cachaça. Descobri que o efeito era uma delícia.
Esperava ansiosa para conseguir outro gole. Na adolescência, como sempre fui tímida, usava o artifício para ter coragem de ir a festas. Namorei, casei e, aos 19 anos, fui abandonada pelo meu marido. Ele dizia que não queria viver com uma bêbada. Em 86, estava desmoralizada no Recife, minha terra natal, e decidi morar em São Paulo. Achava que mudar de cidade ia me fazer parar de beber. Claro que não foi o que aconteceu. Depois, pensei que uma nova união poderia ser a solução e casei com uma pessoa que também estava envolvida com álcool.
Resultado: muitas agressões físicas. Entre as seqüelas, perdi totalmente a visão do olho esquerdo. Cheguei ao fundo do poço. No dia 8 de novembro de 1992, admiti que era alcoólatra. Hoje faço o possível para fugir da bebida, sei que não posso ingerir o primeiro gole..."
Ana*, 50 anos, dona de casa
 

por Mariana Viktor e Alexsandra Bentemuller (depoimentos)
fotos Fernando Gardinali




Alcoolismo - Relatório OMS 2011


Relatório Global 2011

OMS mostra que álcool mata mais que Aids e violência 




Relatório Global 2011 sobre Álcool e Saúde, divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) , mostra que quase 4% de todas as mortes no mundo estão associadas ao álcool. Mais: associa o consumo de bebidas alcoólicas a várias questões sociais sérias, como violência familiar, negligência infantil e abusos, além de faltas ao trabalho.
Segundo o texto, a porcentagem de mortes associadas ao álcool é maior do que óbitos causados por Aids, violência e tuberculose.  
Entre outras conclusões, todas preocupantes, destaque para a constatação de que na faixa etária entre os 25 e 39 anos, mais de 300 mil pessoas morrem por problemas relacionados ao álcool (9% das mortes nesse grupo).
A meta da OMS, com a divulgação do Relatório Global 2011 sobre Álcool e Saúde, é fornecer informações para os Estados vinculados à entidade e apoiar os esforços para reduzir os danos provocados pelo álcool, dando atenção para as consequências sociais e de saúde associadas ao consumo abusivo da bebida.
A íntegra do documento, em inglês, está disponível no site da OMS.   
Global Status Report on Alcohol and Health 2011


Hepatologia Alcoólica


HEPATOPATIA ALCOÓLICA


O álcool ingerido de forma crônica e abusiva pode ser considerado como uma das principais causas de doença hepática, com altas incidências em quase todos os países, inclusive no Brasil. É a causa mais freqüente de disfunção hepática nos Estados Unidos e a terceira ou quarta causa mais comum de morte, considerando indivíduos entre 25 e 64 anos, nos maiores centros urbanos dos Estados Unidos e Canadá.
A hepatopatia alcoólica é, em geral, composta por 3 tipos de lesões, que raramente ocorrem de forma isolada: esteatose hepática, hepatite alcoólica e cirrose.

Fatores de Risco

1.Quantidade e Duração:
A quantidade e a duração da ingestão alcoólica podem ser considerados os principais fatores de risco para o desenvolvimento da hepatopatia. Em homens, 40 a 80 g/dia de etanol produzem esteatose hepática, enquanto 160 g/dia geram cirrose.
2.Sexo:
Mulheres são mais suscetíveis ao desenvolvimento de lesão hepática mais avançada com ingestão substancialmente menor de álcool(quantidades > 20 g/dia) quando comparadas aos homens. Esse fato é atribuído a efeitos pouco compreendidos do estrogênio e do metabolismo do álcool.
3.Hepatite C:
A infecção crônica pelo HCV aliada ao consumo de álcool está associada à progressão da hepatite alcoólica para cirrose em etilistas crônicos e excessivos, ao desenvolvimento de doença hepática descompensada em idade mais jovem e a uma menor sobrevida. Ingestão > 50 g/dia reduz a eficácia da terapia antiviral com interferona e pequenas quantidades de álcool (cerca de 20 a 50 g/dia) podem elevar o risco de cirrose e câncer hepatocelular em pacientes com HCV.
4.Genética
5. Fumo
6.Desnutrição:
Embora a lesão gerada pelo álcool não dependa da desnutrição, a obesidade e a esteatose hepática devidas aos efeitos dos carboidratos sobre o controle transcripcional da síntese e transporte dos lipídeos podem ser fatores proeminentes.

Patologia

A resposta histológica inicial e mais comum é a esteatose hepática, em que o acúmulo de gordura nos hepatócitos coincide, inicialmente, com a localização da desidrogenase alcoólica, principal enzima do metabolismo do álcool, e se estende por todo o lóbulo hepático quando a ingestão é mantida. A esteatose resulta do desvio dos substratos normais para longe do catabolismo e em direção à biossíntese de lipídios pela geração de quantidades excessivas de NADH pela desidrogenase alcoólica; do menor ajuntamento e secreção de lipoproteínas e maior catabolismo periférico da gordura. O álcool afeta o funcionamento microtubular e mitocondrial e a fluidez das membranas, além de induzir um ataque imunológico aos neoantígenos hepáticos.
Caso haja interrupção da bebida, a arquitetura hepática e o acúmulo lipídico são normalizados. Embora muitas vezes considerada um processo benigno, a esteatose, por meio do surgimento de esteato-hepatite e de características patológicas como mitocôndrias gigantes e gordura macrovesicular, pode estar associada a lesão hepática progressiva, e não se sabe ao certo o que leva ao surgimento da hepatite alcoólica.
A hepatite alcoólica pode ser caracterizada por: degeneração em balão, necrose salpicada (irregular), infiltrado de PMN e fibrose dos espaços perivenular e perissinusoidal de Disse, além dos corpúsculos de Mallory, que, embora não sejam específicos, podem estar presentes em casos mais exuberantes. É considerada um precursor para o desenvolvimento da cirrose, mas pode ser reversível com a interrupção da bebida.
A cirrose está presente em até 50% dos pacientes com hepatite alcoólica comprovada por biópsia e a regressão é incerta.

Manifestações clínicas

No caso da esteatose, são, em geral, sutis, e o diagnóstico pode ser suspeitado, muitas vezes, em virtude de uma hepatomegalia verificada em uma consulta de rotina. Podem apresentar, ainda, dor no quadrante superior direito, hepatomegalia hipersensível, náuseas e icterícia.
A hepatite alcoólica, ao contrário, pode ter uma série de manifestações sistêmicas, que são atribuídas à produção de citocinas. O espectro pode variar de assintomático até um perfil extremo, em que se tem febre, nevos aracneiformes, icterícia e dor abdominal que simula abdome agudo. Hipertensão portal, ascite ou sangramentos podem ocorrer mesmo na ausência de cirrose.
Pacientes com cirrose alcoólica manifestam com freqüência os mesmo sintomas da cirrose gerada por outras causas, como ginecomastia, hipertensão portal e encefalopatia.

Achados Laboratoriais

1.Esteatose hepática:
Inespecíficas. Invasões moderadas de AST, ALT e GGTP, hipertrigliceridemia, hipercolesterolemia e, ocasionalmente, hiperbilirrubinemia.
2.Hepatite alcoólica:
AST e ALT elevados habitualmente 2 a 7 vezes (raramente > 400UI) e relação AST/ALT > 1, hiperbilirrubinemia, aumentos moderados de fosfatase alcalina.
Hipoalbuminemia (< 2,5 mg/dl) e coagulopatia (tempo de protrombina > 5s) são comuns na lesão hepática avançada, e US com reversão do fluxo da veia porta, ascite e colaterais intra-abdominais indicam lesão hepática grave com menor portencial de reversão completa da hepatopatia.

Prognóstico

Pode ser avaliado pelo estágio patológico, obtido por biópsia hepática. Pacientes gravemente enfermos com hepatite alcoólica apresentam mortalidade > 50% em 30 dias. Ascite, hemorragia varicosa, encefalopatia profunda ou síndrome hepatorrenal sugerem um prognóstico reservado.

Tratamento

- Abstinência completa em relação ao álcool.
- Glicocorticóides (prednisona, prednisolona).
- Inibidor inespecífico do TNF (pentoxifilina).
* Pacientes com hepatite alcoólica não são candidatos imediatos a transplante hepático, apenas após período de abstenção.
Revista Brasileira de Medicina: Doença hepática alcoólica.





Michael Douglas - Álcool e Câncer


Michael Douglas admite que câncer na garganta está ligado ao álcool e fumo.


O ator Michael Douglas revelou detalhes de sua luta contra o câncer em entrevista ao programa de David Letterman.

O ator, de 65 anos, anunciou que havia desenvolvido um tumor na garganta. Ele terá que se submeter a um tratamento quimioterápico durante oito semanas.

Michael Douglas contou ao apresentador que está otimista com o tratamento, mas sofre com os efeitos colaterais. "Dói muito. A dor vai e vem como ondas. Bate em você com muita força", desabafou o ator.

O câncer, segundo o próprio ator, está ligado aos maus hábitos de vida que ele possuía.
" Este tipo de câncer é provocado por álcool e cigarro.  E eu fumava e bebia", contou.

Douglas também contou que tem encontrado forças no apoio que recebe da atriz Catherine Zeta-Jones, com quem é casado há 10 anos.

                                                   programa de David Letterman
    

Alcoolismo x Ciência


Antioxidante pode prevenir doença no fígado causada pelo álcool

Inserido no fígado de ratos, o MitoQ conseguiu evitar os danos causados às mitocôndrias pelo excesso de álcool

O consumo exagerado de bebidas alcoólicas pode causar um acúmulo de gordura no fígado e levar a doenças como cirrose e câncer 
Um antioxidante sintético chamado MitoQ consegue prevenir os danos causados ao fígado pelo consumo excessivo de álcool. A descoberta, feita por uma equipe americana financiada pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos e publicada no periódico Hepatology, poderá ser uma alternativa eficaz no tratamento da esteatose (acúmulo anormal de gordura no fígado), doença que pode levar à cirrose e ao câncer.

Para chegar aos resultados, a equipe de cientistas coordenada por Victor Darley-Usmar, da Universidade do Alabama, Estados Unidos, introduziu o MitoQ na mitocôndria de ratos, que ingeriam bebidas alcoólicas em excesso. 

Gordura – Os alcoólatras crônicos, aquele que ingerem a bebida em excesso todos os dias, possuem um excesso de gordura nas células do fígado. Isso acontece porque, quando o álcool é metabolizado no fígado, os radicais livres que se originam acabam por danificar as mitocôndrias no órgão. Isso acaba, então, facilitando a formação de depósitos de gordura no fígado, desequilíbrio que pode levar à cirrose.

De acordo com a pesquisa de Darley-Usmar, no entanto, o antioxidante MitoQ consegue interceptar e neutralizar esses radicais livres antes que eles danifiquem a mitocôndria. Assim, é possível evitar que ocorra a cascata de reações químicas que acaba culminando no acúmulo irregular de gordura. 

Mas, segundo Darley-Usmar, ainda são necessários mais estudos para comprovar a eficiência do tratamento com o antioxidante em humanos. “Infelizmente, estudos anteriores mostram que o uso de antioxidantes em humanos não é tão eficaz como prevíamos. Mas a nossa pesquisa tem uma diferença fundamental. Agora, nós localizamos uma região específica da célula, a mitocôndria”, diz. 

Síndrome metabólica – Segundo o cientista, a descoberta da ação do MitoQ poderá ainda beneficiar pacientes com síndrome metabólica. “Essa síndrome tem uma interação complexa de fatores, causadas pela obesidade, que incluem danos ao fígado por um aumento nos radicais livres, na falta de oxigênio e no depósito de gordura. É algo muito similar ao que acontece com o consumo excessivo de álcool”, diz.






28 setembro 2011

José Luiz Datena e o Alcoolismo


José Luiz Datena

"Adoraria ter um infarto e empacotar agora"
Apresentador diz que quer morrer, assume a culpa pelo envolvimento do filho com drogas e conta que foi alcoólatra e infiel
ELE GRITA E FALA GROSSO
Até as crianças têm receio de pedir para
fotografar ao seu lado: “Sou um bruto
que procura a lapidação”
 



ISTOÉ -
 Por que tatuou Cristo no antebraço?
JOSÉ LUIZ DATENA
 Tive de passar por uma cirurgia, há cinco anos, por conta de um tumor no pâncreas e foi cortado metade do meu pâncreas e extraído o baço. Os caras (médicos) me salvaram a vida, mas me f... pra c... Tomei morfina e o c... Tatuei porque os caras lá de cima me ajudaram mais ainda. Eu tinha certeza de que iria morrer. Ao acordar da operação, vi um p... rasgo na barriga, sonda em todos os orifícios. Foi uma operação de 12 horas, perdi 25 quilos em dez dias, um negócio.
ISTOÉ -
 E até hoje o sr. faz algum acompanhamento?
JOSÉ LUIZ DATENA
 Nunca mais entrei no hospital. Teria de fazer exames a cada seis meses. Fui para o hospital sem ter p... nenhuma e os caras cortaram metade da minha barriga, quase morri, a minha qualidade de vida piorou pra c..., a minha libido. Só vou para hospital se estiver desmaiado. Fujo para c...! Mas preciso operar uma hérnia. Ela apareceu porque voltei a trabalhar com o dreno pendurado. No buraco do dreno nasceu a hérnia.
ISTOÉ -
 Não tem medo de morrer?
JOSÉ LUIZ DATENA
 Adoraria ter um infarto e empacotar agora. Se Deus me perguntasse se eu preferiria morrer hoje de noite ou viver mais 30 anos, eu escolheria a primeira. Porque tenho a mente em paz e iria tranquilo. A existência não se mede por cronologia, mas por qualidade de vida e pelos seus atos. O tanto que já bebi, sempre fui um alcoólatra até não poder beber mais... já sou um sobrevivente, não devia ter passado dos 50 anos. Estou numa hora extra monstro! O problema não é a morte, mas o que passei no hospital.
ISTOÉ -
 Houve um tempo em que você e sua esposa ficaram separados.
JOSÉ LUIZ DATENA
 Nos separamos por três anos, tive dois filhos com outra mulher, depois voltei com a Tide e ela me aguenta até hoje. Atualmente, sou muito calmo. Mais moleque, era terrível, saía com a putaria e chegava tarde em casa. Estamos 40 anos juntos. Casados, há 33.
ISTOÉ -
 O sr. cortou bebida e cigarro por conta do seu filho Vicente...
JOSÉ LUIZ DATENA
Parei de beber e fumar por causa do moleque (que foi viciado em crack por seis anos)
ISTOÉ -
 O que aprendeu com a recuperação do seu filho?
JOSÉ LUIZ DATENA
Foi a minha maior conquista. Não dá nem para dizer.
ISTOÉ -
 Em qual esfera essa experiência o tornou uma pessoa melhor?
JOSÉ LUIZ DATENA
Eu tirei a seguinte lição: jamais se deve abandonar um filho que tem problemas com drogas, jamais devemos considerar isso um crime. Criminoso é quem vende, o canalha que tira a pessoa da sua casa. Desse eu tenho ódio mortal. Ele se disfarça de boa gente e arrebenta a sua família. A lição que tirei é que você tem de amparar... não só depois, mas para tentar evitar. Eu não tinha um contato (com o filho Vicente) porque viajava a semana inteira para ganhar dinheiro.
ISTOÉ -
 Está assumindo a culpa?
JOSÉ LUIZ DATENA
Meu filho não tem nada a ver com isso, a culpa toda é minha. A minha ausência levou meu filho ao vício das drogas. Não tenho dúvida. Eu saía de casa na segunda-feira, voltava na sexta e ficava só no sábado. Domingo voltava a trabalhar.
ISTOÉ -
 Como convive com essa culpa?
JOSÉ LUIZ DATENA
Muito do meu comportamento agressivo se deve a esse período. Foi terrível. Minha mulher e meu filho queriam se matar. Sou um cara arredio, punk, por isso. Falar sobre isso mexe comigo. É evidente que ainda não exorcizei esse fantasma. Por que acha que tenho pavor de bandido, grito e esperneio contra o tráfico? Isso é uma raiva incontida que nunca ninguém irá tirar do meu peito! Fiquei mais xarope do que era. Graças a Deus, a recuperação do meu filho compensou tudo isso. Vicente está casado, tem filho, formou-se em direito e mora em Goiânia. Eu digo: as pessoas têm de ter esperança.
ISTOÉ -
 Como se enxerga como pai?
JOSÉ LUIZ DATENA
Fui um péssimo pai. Sempre fui ausente, distante. Mas procurei seguir Gandhi, que dizia que o ser humano é o único capaz de mudar em vida a sua existência. Hoje, compenso conversando bastante com eles. Como avô, sou fantástico! Viajo para vê-los (tem três netos), os levo para shopping.
ISTOÉ -
 Poderia se autodefinir?
JOSÉ LUIZ DATENA 
 Sou um cara do bem que nunca acordou pensando em ferrar alguém. Mas amealhei inimigos pela minha forma de ser. Não faço concessões morais, no trabalho, para patrão, trato as pessoas de forma igual. Procuro andar o mais próximo da verdade. Posso ter omitido algumas coisas na vida, mas nunca menti. Gostaria de ser mais maleável no trato com as pessoas. Se pudesse voltar no tempo para me corrigir, o faria em relação ao temperamento. Mas no cômputo geral, me lembro de ter pedido mais desculpas do que brigado. E sou um bruto que procura pela lapidação para terminar bem a vida. Queria, realmente, terminar a minha vida em paz.