31 outubro 2011

Vitória de Fatboy Slim sobre o alcoolismo


30/10/2011 - 15h50

Achei que não conseguiria tocar sóbrio, diz Fatboy Slim

Em 2009, Norman Cook, mais conhecido como Fatboy Slim, se internou em uma clínica de reabilitação voluntariamente. A luta do DJ e empresário britânico era contra o alcoolismo, vício que aos poucos comprometia sua carreira e sua vida familiar.
Dois anos e pouco depois, o astro dos picapes falou ao tabloide "Sunday Mirror" sobre sua recuperação e a dificuldade de voltar às pistas sem beber um drinque sequer.
"Eu estava assustado com a ideia de que tocar sóbrio seria um pesadelo", desabafa. "Eu achava que não conseguiria fazer isso ou que eu não tocaria tão bem quanto antes. Foram dois ou três shows até eu conseguir dançar. Meu quadril nem se mexia".
A mulher de Fatboy Slim também enfrentou o vício na mesma época, mas não chegou a ir para a "rehab".
"A reabilitação me ensinou que um alcoólatra não consegue beber com responsabilidade... então você não pode beber de jeito algum. E foi essa a escolha que fiz, parar com a bebida", explica o DJ.


Álcool e Fertilidade


Álcool interfere na fertilidade do homem e da mulher

As substâncias químicas prejudicam a ovulação, a produção de espermatozóides, a gestação e afetam a saúde do feto
Por Dra. Fernanda Coimbra Miyasato*
Pode parecer comum, mas o que muitas pessoas não sabem é que o álcool,  prejudica de forma direta a fertilidade masculina e feminina.  O álcool,  além de interferir na fertilidade, age na sexualidade do homem e da mulher e ainda estimula o uso de outras substâncias químicas como o cigarro e as drogas em geral. A seguir, a explicação :

Álcool
Na mulher, pode causar uma alteração no funcionamento normal do sistema regulador cerebral responsável pela produção dos hormônios femininos. Com isso, é possível haver falha da menstruação, aumento do hormônio prolactina (responsável, entre outras, pela produção de leite), diminuição da libido (desejo sexual), falha na ovulação e defeito de fase lútea (pós-ovulação) e, com isso, a infertilidade. Segundo estudos realizados por Hakim RB divulgados na publicação científica Fertility and Sterility, o consumo de álcool está correlacionado com até 50% à redução da fertilidade feminina.
A libido também pode ser afetada em homens que consomem grande quantidade de álcool. O pesquisador Gaur DS afirma que somente 12% dos homens alcoólatras apresentam contagem espermática normal. A produção dos espermatozóides, por exemplo, pode sofrer interferências de diversos fatores: alteração no sistema regulador cerebral que reduz a produção do hormônio testosterona; danos às células produtoras dos espermatozóides diretamente nos testículos, devido à atrofia por lesões vasculares, e modificações nas células do fígado que mudam suas funções e aumentam os níveis de estrogênio. A testosterona é o hormônio responsável pela produção de espermatozóides, com isso há uma queda no número e na qualidade deles. O consumo do álcool também tem sido relacionado com aneuploidias (alterações cromossômicas) em espermatozóides, de forma que a análise dos abortos são frequentemente modificadas.
O álcool está presente no sêmen pouco tempo após a sua ingestão, o que gera interferência direta com a concepção e a implantação. Os efeitos da substância parecem desaparecer nos meses seguintes a sua interrupção, porém, atualmente, alguns relatos revelam que seus efeitos são irreversíveis.
Na gestação, o álcool também é um vilão. Ainda se desconhece um nível seguro do consumo da bebida nesta fase, portanto, não é recomendado ingerir durante a gravidez. A substância talvez seja a mais perigosa, já que pode levar a várias complicações, dentre elas a mais séria: a Síndrome Alcóolico Fetal. Esta doença, que pode ocorrer em 30% a 40% dos filhos de mulheres alcoólatras é caracterizada por deficiência de crescimento, retardo mental, distúrbios de comportamento, além do aumento da incidência de problemas cardíacos e cerebrais após o nascimento. O álcool também é responsável pelo aumento no risco de aborto espontâneo em 2 a 3 vezes se consumido pela mulher e de 2 a 5 vezes se for consumido pelo homem. Além disso, pode aumentar o risco de parto prematuro e morte fetal.


Álcool e seu Corpo


Saiba como o álcool afeta seu corpo

Os efeitos do consumo do álcool a curto prazo são conhecidos: ressacas, cansaço, má aparência.
A longo prazo, a ingestão da substância está associada a várias condições, entre elas o câncer da mama, câncer oral, doenças cardíacas, derrames e cirrose hepática, entre outras.
Pesquisas também associaram o consumo de álcool em doses elevadas à problemas de saúde mental, perda de memória e diminuição da fertilidade.
Problemas Cardíacos e Câncer
A ingestão de mais de três copos de bebida alcoólica por dia prejudica o coração.
O consumo excessivo, especialmente a longo prazo, pode resultar em pressão alta, cardiomiopatia alcoólica, falência cardíaca e derrames, além de aumentar a circulação de gorduras no organismo.
As associações entre o consumo de álcool e o câncer também são bastante conhecidas.
Um estudo publicado no British Medical Journalno ano passado concluiu que o consumo de álcool provoca pelo menos 13 mil casos de câncer por ano na Grã-Bretanha, nove mil em homens e quatro mil em mulheres.
O efeito negativo do álcool para a saúde em geral pode estar associado a uma substância conhecida como acetaldeído - produto em que o álcool é transformado após ser digerido pelo organismo.
Essa substância é tóxica e experimentos demonstraram que ela danifica o DNA.
O cientista KJ Patel, que trabalha no laboratório de biologia molecular do Medical Research Council, na Grã-Bretanha, vem pesquisando os efeitos tóxicos do álcool.
"Não há a ocorrência de uma célula cancerosa a não ser que o DNA seja alterado. Quando você bebe, o acetaldeído está corrompendo o DNA da vida e colocando você no caminho para o câncer".
Imunidade e Fertilidade
Um relatório publicado recentemente na revista científica Bio Med Central (BMC) Innunology revelou que o álcool afeta a capacidade do organismo de combater infecções virais.
E estudos sobre fertilidade indicam que mesmo o consumo moderado da substância diminui a probabilidade de uma mulher conceber. Nos homens, o consumo excessivo diminui a qualidade e quantidade de esperma.
KJ Patel acaba de completar uma investigação sobre os efeitos tóxicos do álcool sobre ratos.
Seu estudo indica que uma única dose excessiva de álcool durante a gravidez pode ser suficiente para provocar danos permanentes sobre o genoma do feto.
A Síndrome Alcoólica Fetal, segundo Patel, "pode resultar em crianças com danos sérios, nascidas com anomalias na cabeça e face e com deficiências mentais".
Fígado
O médico Nick Sheron, que comanda a unidade de fígado do Southampton General Hospital, na Inglaterra, disse que os mecanismos por meio dos quais o álcool prejudica o organismo não são claros.
"A toxicidade do álcool é complexa, mas sabemos que há um relacionamento próximo e claro".
Quanto maior a ingestão semanal, maior o dano ao fígado e esse efeito aumenta exponencialmente em alguém que bebe de seis a oito garrafas de vinho - ou acima disso - nesse período.
Segundo Sharon, nas últimas duas ou três décadas, houve um aumento de 500% no número de mortes por doenças do fígado na Grã-Bretanha. Dessas, 85% foram provocadas pelo álcool. O ritmo desse crescimento começou a diminuir, mas muito recentemente.
"O álcool tem um impacto maior sobre a saúde do que o fumo porque ele mata em uma idade menor". Segundo o especialista, doenças do fígado provocadas pelo consumo de álcool matam por volta dos 40 anos de idade.
Álcool x Heroína, Crack e Cocaína
O consumo de álcool é, cada vez mais, um problema de saúde pública.
No início do ano, o serviço nacional de saúde britânico, NHS, anunciou que internações associadas ao consumo de álcool na Grã-Bretanha atingiram nível recorde em 2010.
Houve mais de um milhão de internações, em comparação com 945.500 em 2008-2009 e 510.800 em 2002-2003.
Quase dois terços dos pacientes eram homens.
Segundo a entidade beneficente britânica Álcool Concern, há estimativas de que o número de internações possa alcançar 1,5 milhão por volta de 2015.
Quando são considerados os perigos para o indivíduo e a sociedade como um todo, o álcool é mais prejudicial do que a heroína e o crack - concluiu um estudo publicado no ano passado na revista científica The Lancet.
O estudo, feito pelo Comitê Científico Independente sobre Drogas, órgão científico independente que estuda as drogas e seus efeitos, concluiu também que o álcool é três vezes mais prejudicial do que a cocaína e o tabaco porque é usado de forma muito mais ampla
Consumo Recomendado
A diretora de pesquisas do Institute of Alcohol Studies, Katherine Brown, disse que as orientações atuais sobre o consumo de álcool e a forma como essas diretrizes são comunicadas à população podem estar contribuindo para a desinformação do público.
"Precisamos ser cuidadosos quando sugerimos que existe um nível 'seguro' de ingestão. Na verdade, precisamos explicar que existem riscos associados ao consumo do álcool e que quanto menos você bebe, menor seu risco de desenvolver problemas de saúde".
Para a especialista, é preciso mudar a percepção de que "beber regularmente é uma prática normal e livre de riscos".
O médico Nick Sheron concorda.
"Não existe um nível seguro. As pessoas apreciam um drink, mas precisam aceitar que existem riscos e benefícios".






30 outubro 2011

Alcoolismo e risco de Câncer de Laringe

O que é Câncer de laringe?


O câncer de laringe é um dos mais comuns a atingir a região da cabeça e pescoço, representando cerca de 25% dos tumores malignos que acometem esta área e 2% de todas as doenças malignas. Aproximadamente 2/3 desses tumores surgem na corda vocal verdadeira e 1/3 acomete a laringe supraglótica (ou seja, localizam-se acima das cordas vocais).

Fatores de risco

Há uma nítida associação entre a ingestão excessiva de álcool e o vício de fumar, com o desenvolvimento de câncer nas vias aerodigestivas superiores. 
Quando a ingestão excessiva de álcool é adicionada ao fumo, o risco aumenta para o câncer supraglótico. Pacientes com câncer de laringe que continuam a fumar e beber têm probabilidade de cura diminuída e aumento do risco de aparecimento de um segundo tumor primário na área de cabeça e pescoço.

29 outubro 2011

Câncer de Lula é provocado por Álcool e Cigarro

Ex-presidente é surpreendido com diagnóstico de câncer na laringe, mas reage com otimismo e esperança
FERNANDO GRANATO E JUSSARA SOARES/DIÁRIO SP


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva começa um  tratamento de quimio e radioterapia para combater um câncer de laringe. O diagnóstico foi divulgado neste sábado 29/10/2011 após uma série de exames realizados no Hospital Sírio-Libanês, na região central da capital. O tumor maligno tem entre 2 e 3 centímetros de diâmetro e está localizado próximo das cordas vocais, na parte superior da laringe (supraglote). Segundo informações do hospital, estaria restrito à laringe,  sem metástase, quando o tumor se espalha por outras regiões.  Este tipo de câncer tem como principal causa o fumo e o uso de álcool e atinge principalmente homens.
O ex-presidente, que nunca escondeu que gostava de beber cachaça tem o perfil da população mais atingida pelo câncer de laringe, cujas vítimas são predominantemente homens.





Alcoolismo x Esôfago x Câncer


Alcoolismo, genética e câncer do esôfago


O câncer do esôfago é dos mais letais. Dependendo do país (e da qualidade da medicina dentro dele), em cinco anos somente de 12% a 31% dos pacientes estão vivos. Sabemos que o risco desse câncer aumenta com o consumo de bebidas quentes e o consumo excessivo de café e de comidas muito apimentadas. O que não sabíamos é que muitas pessoas que, quando bebem, ficam com o rosto avermelhado aumentam muito o risco de perder a vida com câncer do esôfago. Esse é o resultado de pesquisas feitas com pessoas do este da Ásia.
Por quê?
Parece ser uma suscetibilidade genética dos que têm um enzima deficiente, chamado (em Inglês) de aldehyde dehydrogenase 2 (ALDH2). Muitas pessoas daquela parte do mundo possuem essa deficiência, aproximadamente 540 milhões de pessoas, que representam 8% da população mundial. Essa deficiência faz com que haja uma reação forte ao consumo de álcool que se expressa na vermelhidão do rosto. São fenômenos tão relacionados que a vermelhidão (flushing) é um bom indicador da deficiência genética. O enzima é inativo nos que possuem a deficiência. No Japão, Akira Yokoyama e sua equipe demonstraram que as pessoas com uma cópia do gene inativo tem um risco de seis a dez vezes maior de ter câncer do esôfago. Se forem alcoólatras, as consequências são catastróficas: os que bebem 33 doses ou mais têm um risco 89 vezes maior do que os que não bebem. Essa combinação de uma deficiência genética com o alcoolismo é particularmente letal.


28 outubro 2011

Alcoolismo Consequências Graves

A crise econômica, o desemprego, os problemas emocionais, entre outros fatores, têm levado um número cada vez maior de pessoas a buscar refúgio no álcool. O alcoolismo é considerado na atualidade, um dos principais problemas de saúde pública em todo o mundo. São crescentes os números sobre doenças graves provocadas pelo consumo excessivo de bebidas alcoólicas, bem como a incidência de mortes decorrentes destas doenças. O álcool também assusta como causa básica de acidentes de trânsito, crimes e suicídios.

O alcoolismo está entre as drogas de maior relevância no Brasil, pois o álcool exerce influencia sobre 12% da população. De qualquer maneira, estima-se que 90% das pessoas ingerem álcool de alguma forma. Normalmente as primeiras experiências acontecem na adolescência, quando se bebe para ficar desinibido. O problema é que para jovens com tendência para o alcoolismo fica difícil saber quando parar ou mesmo perceber quando a pessoa deixa de ser um bebedor de fim de semana para se tornar um bebedor habitual.

Conseqüências
cirrose hepática é uma das doenças mais comuns provocadas pelo alcoolismo. A bebida é metabolizada através do fígado e quando se usa álcool em grandes quantidades e por longo período, podem surgir alterações no órgão. O álcool provoca infiltração de gorduras no fígado, pode gerar a hepatitealcoólica e, mais grave, a cirrose hepática. A cirrose se caracteriza pelo endurecimento do fígado, provocaascite (barriga d'água) e formação de varizes no esôfago. Além do fígado, outras partes do organismo podem ser afetadas pela bebida. No cérebro, a intoxicação aguda - mesmo em não alcoólatras - pode provocar acidentes, agressões e suicídio. O álcool interfere no funcionamento do aparelho digestivo, desenvolve irritações na boca e esôfago, além de provocar distúrbios gástricos que acabam agravando doenças já existentes, como a úlcera. O intestino também pode sofrer com diarréias e dificuldade de absorção de alimentos, provocando a desnutrição. O uso constante de bebida também agrava diversas outras doenças infecciosas, como tuberculose e pneumonia.

O tratamento da doença é complexo, pois não pode ser desvinculado das complicações orgânicas e psíquicas, por isso apresenta múltiplos aspectos. O primeiro passo no tratamento é a desintoxicação e para isso a pessoa é internada. Nesta fase pode acontecer a síndrome de abstinência, que é caracterizada por uma série de sintomas que aparecem quando a pessoa pára de beber. Entre estes sintomas estão os tremores, alucinação e alteração do comportamento.

Muitas pessoas que sofrem do alcoolismo escondem o problema, se afastam de amigos e familiares e são incapazes de buscar ajuda ou se auto-ajudarem. Existem métodos alternativos como os Alcoólatras Anônimos e o CVV (centro da valorização da vida) onde os dependentes do álcool e drogas falam de seus problemas a pessoas dispostas a ouvir e ajudar. De qualquer maneira, a vontade própria é o requisito básico para deixar o vício.

Opinião
Para a médica Célia Bagno Cruz, que atual no Hospital Psiquiátrico, Galba Veloso, um dos maiores de Minas Gerais, que possui atendimento nos casos de alcoolismo, beber compulsivamente leva o individuo a um dos maiores problemas da atualidade, ou mesmo beber ocasionalmente mas chegando a se embriagar.

O álcool é uma droga socialmente permitida. Os benefícios e danos ao organismo são imensamente discutidos. Muitas drogas já foram utilizadas para minimizar os efeitos não desejados do álcool seja a curto ou longo prazo. Existe a frase do AA - Associação dos Alcoólatras Anônimos, se você esta preocupado com a sua maneira de beber ou de algum amigo ou conhecido, procure-nos. Até o ano passado este era o melhor caminho para o indivíduo que queria uma maneira de parar de beber, destaca a médica.

Dra. Célia comenta ainda que as terapias ajudavam e as drogas como os benzodiazepinicos, por exemplo, também auxiliavam no tratamento. Alguns medicamentos como o Antabuse, que provocavam vômito quando a pessoa fosse beber, também eram utilizados. Atualmente foi colocada no mercado, uma nova droga pelo laboratório Cristalia (cloridrato de Naltrezona) que ocupa no cérebro o lugar do prazer que o álcool daria fazendo com que o individuo que bebe não sinta o prazer, perdendo assim o interesse pela bebida. Este medicamento está muito bem indicado para alcoólatras crônicos que querem parar. Se eles não conseguem, o medicamento será utilizado por por aproximadamente três meses, com um comprimido diário. Assim passará a vontade de beber.

Aumento da Dependência
Segundo a maioria dos médicos brasileiros, o problema do consumo alcoólico tem solução, apesar do aumento do número de dependentes ser cada vez maior no país. O alcoolismo é responsável por quase 75% de todos os acidentes de trânsito com mortes, 39% de ocorrências policiais e 40% das consultas psiquiátricas, além disso, 15% da população do país é alcoólatra. Estes são alguns dados que mostram como o álcool está presente na vida do brasileiro, inclusive entre os mais jovens.

Segundo os especialistas no assunto, a solução para o problema é um comprometimento maior das autoridades para a elaboração e cumprimento de leis sobre a comercialização e consumo das bebidas alcoólicas. Por um outro lado, algumas ações já estão sendo desenvolvidas para levar este problema mais a sério e ser tratado como uma doença. 

A partir da realização do Fórum Antidrogas, que aconteceu durante o mês de maio na cidade de Belo Horizonte, está sendo estudada a elaboração de um programa de diretrizes políticas. De acordo com o Centro de Toxicomania de Minas, a doença é um dos grandes problemas de saúde pública no Brasil, que precisa ser vista não como sintoma. Algumas associações médicas defendem o assunto e pedem que o alcoólatra receba o atendimento primeiro nos ambulatórios e somente depois que ele seja internado.

Para frear a dependência do álcool sempre surgem novas propostas, além de ser um assunto que tem sempre despertado a atenção de grande parte da sociedade. Quando uma pessoa consome regularmente bebida alcoólica, o melhor caminho é o tratamento nas entidades filantrópicas ou rede pública de hospitais, a participação em organizações como a Associação de Alcoólicos Anônimos, entre outros. Recentemente um médico espanhol, Gabriel Rubio do Hospital de Madri apresentou os primeiros resultados de um tratamento feito com o uso de cloridato de naltrexona, nos Estados Unidos e Europa. O objetivo foi tentar reduzir a compulsão pela bebida. Uma boa medida que é defendida por vários profissionais de saúde é a prevenção. A Universidade Federal de Minas Gerais, em conjunto com as universidades do Paraná e Santa Úrsula no Rio de Janeiro defendem esta bandeira.

Quando se Inicia o uso de Drogas

fonte
Clínica Grand House

O inicio da utilização de substâncias ilícitas geralmente ocorre entre as idades de 13 a 16 anos. 50% dos estudantes entre 10-12 anos já usaram bebidas alcoólicas. O  risco é em torno de 200% maior do uso de cigarros, álcool e outras drogas entre a 8ª serie e 2ºano do ensino médio. O risco de usar maconha é 65 vezes maior para pessoas que fumam ou bebem. O risco de usar cocaína é 104% maior para pessoas que usam maconha.
Os fatores que favorecem a iniciação do uso de substância psicoativa são chamados deFatores de Risco (são os fatores associados com uma maior chance de usar drogas).
Os fatores que inibem a iniciação do uso são chamados de Fatores de Proteção: (os fatores associados com um potencial reduzido para o uso de drogas são chamados de Fatores de Proteção).
Os Fatores de Risco potencializam o inicio do uso de drogas e álcool na infância, e estes têm o mais duradouro impacto – afetam o desenvolvimento. São eles:
  • Ambiente familiar caótico (ex:abuso de drogas pelos pais)
  • Pouco e ineficaz monitoramento/disciplina;
  • Falta de carinho/interesse/cuidados.
  • Nas escolas, Colegas e Comunidade:
    • Padrão de comportamento introvertido e agressivo na classe;
    • Repetência escolar e dificuldades escolares;
    • Habilidades sociais reduzidas;
    • Relacionamento com colegas com comportamentos “desviantes”;
    • Percepção de falta de problemas relacionados ao uso de drogas.
Fatores de Proteção
  • Laços familiares fortes.
  • Monitoramento em casa.
  • Regras claras e envolvimento dos pais nas vidas dos filhos.
  • Sucesso no desempenho escolar.
  • Laços fortes com instituições comunitárias (ex: escolares, religiosas).
  • Possuir normas convencionais sobre o uso de drogas.
Existem também outros fatores importantes que acabam sendo facilitadores ao uso de drogas e álcool:
  • Disponibilidade de álcool, tabaco e outras drogas;
  • Padrões de trafico local/global;
  • Crenças que o uso de drogas é geralmente tolerado.
 Fonte:Ilana Pinsky 



27 outubro 2011

Amy Winehouse - O álcool venceu o talento



Amy Winehouse morreu de coma alcoólico

O inquérito sobre a morte da cantora Amy Winehouse concluiu que ela morreu em decorrência de um coma alcoólico. O patologista Suhail Baithun disse que Amy Winehouse consumiu uma "quantidade muito grande de álcool" antes de morrer.

A declaração de Baithun foi feita durante um inquérito sobre a morte da cantora. Segundo ele, amostras de sangue e urina indicaram que os níveis de álcool de Winehouse estavam 4,5 vezes acima o limite legal para motoristas.
A cantora, que lutou durante anos contra a dependência de álcool e drogas, foi encontrada morta na cama em sua casa em Londres em 23 de julho. Ela tinha 27 anos
Uma autópsia inicial foi inconclusiva, embora não tenha revelado nenhum traço de drogas ilegais em seu organismo.
A médica da cantora, doutora Christina Romete, disse que ela havia recomeçado a beber dias antes de morrer, após uma período de abstinência. As informações são da Associated Press.

24 outubro 2011

Dependentes usam chá de Daime para tratar alcoolismo - POLÊMICA


24/10/2011 - 10h27

Dependentes usam chá do Daime para se livrar da doença

Alcoólatras crônicos e usuários de drogas ilícitas, que se identificavam como "sem solução", afirmam terem abandonado décadas de vício com o chá ayahuasca, conhecido como Daime.
O tratamento com o chá não é divulgado publicamente. As recomendações correm de boca em boca só entre os membros de grupos religiosos que usam a bebida, como o Santo Daime e a União do Vegetal, além de dissidentes. Médicos e cientistas ainda estudam os efeitos da bebida para saber a causa da suposta eficácia contra o vício.
Dois ex-dependentes afirmaram à reportagem que tomaram conhecimento do chá por indicação de psiquiatras que frequentavam os rituais (para entrar nas seitas, o novato geralmente é apresentado por um membro).

                                                            clicar na imagem

"Pessoas que ingressaram nos grupos do 'vegetal' milagrosamente largaram a bebida depois de 30 a 40 anos de alcoolismo", diz o psiquiatra Dartiu Xavier da Silveira, do Proad (Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes), da Unifesp.
O médico, que não indica o chá como tratamento, afirma que o próprio ritual pode ter algo a ver com a recuperação dos dependentes. "Sabemos que o contexto religioso protege as pessoas das drogas, mas suspeito que não seja somente isso. Há um efeito químico nisso tudo, que ainda não foi pesquisado", diz.
O doutor em farmacologia João Ernesto de Carvalho, coordenador da Divisão de Farmacologia e Toxicologia do CPQBA (Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas), da Unicamp, também não tem explicações para justificar o fim da dependência.
"Sob o ponto de vista farmacológico, a pessoa teria de tomar doses diárias do chá, como se ele fosse um antidepressivo, o que não ocorre", diz. Os rituais são realizados, em média, duas vezes ao mês.
NOVA DEPENDÊNCIA?
"Não sei explicar como parei", diz o publicitário Benito Alvarez Rizi, 55, que começou a tomar o chá há cinco anos.
Antes do processo de limpeza, Rizi cheirava cocaína e entornava bebida alcoólica a ponto de ficar cinco dias seguidos acordado. "Desde que comecei a tomar o 'vegetal', a vontade de me drogar sumiu da minha cabeça."
A dúvida é se a ayahuasca pode ter um efeito adverso e criar, por sua vez, uma nova dependência.
"O que pode existir é a dependência psicológica", diz Xavier. "Não é uma droga do prazer ou que dê 'barato' como a cocaína, o álcool ou outra substância. Não é uma experiência agradável que as pessoas queiram repetir." Diarreia, vômito, náusea e formigamento estão entre alguns dos efeitos colaterais.
O psiquiatra Arthur Guerra, coordenador do grupo de estudos de álcool e drogas da Faculdade de Medicina da USP, o uso do chá como tratamento para dependência não é apropriado.
"Como uma substância com alucinógena vai tratar dependentes? Em vez de você ajudar a pessoa, você pode matá-la."



Álcool e Qualidade de Vida



O consumo de bebida alcoólica pode ser um aspecto constante de muitas atividades familiares e sociais. Porém, o mau uso da mesma, conduz ao desenvolvimento de desordens causadas por ela, ocasionando, assim, um impacto negativo à família e à sociedade.
A nossa preocupação é estar alertando sobre os indivíduos que não mais bebem bebida alcoólica apenas socialmente, e que não se reconhecem como bebedores abusivos, embora algum membro da família já manifeste algum tipo de insatisfação em relação ao padrão de ingestão (geralmente a mãe ou a esposa). O beber problema ocorre não somente com os dependentes, mas também com os bebedores abusivos. Serão futuros alcoolistas, caso não haja uma conscientização para reverter este processo, fazendo uma redução de danos, voltando a beber socialmente em prol de uma melhor qualidade de vida.
Bertolote (1997), numa breve história sobre a evolução do conceito de alcoolismo, observa que "por mais que conseqüências e complicações físicas possam ser descritas em associações com álcool, o fenômeno do alcoolismo ultrapassa os limites de uma nosologia meramente organicista". Considerado como uma doença orgânica até a metade do século XX, "cientistas sociais passaram a aborda-lo, aprofundando o estudo da questão com sua metodologia e seus instrumentos", até que, em 1953, Robert Straus e Selden Bacon realizaram uma mudança notável do ponto de vista epistemológico: publicaram uma conceitualização do alcoolismo como um fenômeno que se manifesta em várias dimensões, "expressando-se ao longo de distintos eixos: físico, mas também psicológico e social".
Assim, os problemas relacionados com o consumo de álcool transcendem o conceito de doença, sendo que Knupfer (1967), seguindo este novo enfoque, propõe que os problemas relacionados ao consumo de álcool podem ser familiares, legais, no trabalho, de saúde (incluindo hospitalizações) e econômicos.
Devemos fazer uma distinção entre dependência alcoólica, onde o uso de álcool alcança uma grande prioridade na vida do indivíduo e as demais atividades passam para o segundo plano, dos problemas relacionados à bebida, onde ela não é prioridade na vida do indivíduo, mas afeta a qualidade de vida. Por exemplo: o indivíduo sai num final de semana, bebe exageradamente, dirige o carro e provoca um acidente, prejudicando a si e a outros. Tais indivíduos não são alcoolistas e recusam qualquer tipo de observação ou conselho.
Tratamento, então, nem pensar. E num período variável entre dois a dez anos, podem caminhar, "sem perceber" para o alcoolismo propriamente dito, ou seja, para a Síndrome de Dependência do álcool (de acordo com a Organização Mundial da Saúde, o termo "alcoolismo" foi substituído pela terminologia proposta por Edwards e Gross, em 1976, Síndrome de Dependência do álcool). Enquanto as evidências não são físicas (cirrose, hepatite alcoólica, gastrite, úlcera gástrica e outras), tais indivíduos negam a importância ou até mesmo a existência do problema, desqualificando os sinais de ordem psicológica e social de que o padrão de ingestão do álcool está interferindo negativamente na sua vida conjugal, social, familiar ou profissional.
Temos então, duas situações. A primeira situação é a dependência do álcool, considerada pelas tendências atuais como uma condição que requer um tratamento crônico, a semelhança de tantas outras doenças em medicina como a hipertensão arterial, diabetes e asma. O álcool produz mudanças cerebrais, psicológicas e sociais que não desaparecem após a desintoxicação, daí a importância do tratamento visando também estas alterações. A segunda situação enfoca os problemas que decorrem do uso abusivo da bebida, e que justificam tratamento, para que o indivíduo não progrida para a dependência.
Através de nossa vivência profissional, temos compartilhado bons momentos com os indivíduos e familiares que tiveram a coragem de buscar ajuda para redecidir viver com qualidade, estruturando o tempo, o lazer, buscando alegria saudável, sabendo lidar com a tristeza adequadamente, procurando amigos de "colo" e não de "copo", resgatando a auto-estima e as relações interpessoais enriquecedoras.
Tais indivíduos se permitiram reaprender sentir e expressar as emoções autênticas e a elaborar o pensamento partindo para a ação na busca saudável da solução de seus problemas.
Se não o indivíduo, se não a família, há ainda a esperança de que a empresa, que possui no seu setor de recursos humanos profissionais capacitados para diagnosticar funcionários que necessitam de tratamento (mesmo que ainda não apresentem sintomas que caracterizam dependência, mas que mostram sinais de uso inadequado do álcool), façam o encaminhamento para os recursos existentes na comunidade.
Kátia Ricardi de Abreu
Psicóloga, Psicoterapeuta Analítica Transacional, Facilitadora e Escritora.




20 outubro 2011

O Processo da Adicção

fonte
 Clínica Grand House



O PROCESSO DA ADICÇÃO

A adicção tem sido descrita como uma fraqueza moral, falta de força de vontade, incapacidade para enfrentar o mundo, uma doença física e uma doença espiritual. Quase todas estas descrições contêm elementos de verdade sobre a natureza da adicção.
A maioria dos seres humanos tem um profundo desejo de se sentir feliz e encontrar paz de espírito. Às vezes, em nossas vidas, muitos encontram esta totalidade de paz e beleza, mas logo ela vai embora, para voltar em outra hora. Quando ela vai embora sentimos uma leve tristeza. De várias maneiras, este é um dos naturais ciclos da vida. Não é um ciclo que possamos controlar.
Existem coisas que podemos fazer para aumentar a duração destes ciclos, mas geralmente eles são incontroláveis, no sentido de que todos devem passar por eles. Podemos aceitar estes ciclos e aprender com eles ou lutar contra eles e tentarmos ser feliz todo o tempo. A adicção pode ser vista como uma tentativa para controlar estes ciclos incontroláveis.
Quando adictos se envolvem com um objeto em particular ou um fato para produzir a mudança de humor desejada, eles emocionalmente acreditam que podem controlar estes ciclos. E no inicio eles conseguem. Portanto, a adicção no seu nível básico, é uma tentativa de controlar e preencher este desejo.
A adicção deve ser vista como um processo progressivo
Podemos desenhar uma forte comparação entre adicção e o câncer, Para entendermos todas as formas diferentes de câncer, é bom entender que todas estas formas diferentes têm em comum. O que todos eles compartilham é um processo semelhante – a multiplicação incontrolável das células.  Por isso, precisamos entender o que a adicção e o processo de todas as adicções têm em comum: a perda de controle e uma procura desorientada pela integridade, felicidade, e paz de espírito através de um relacionamento com um objeto ou evento.
Embora existam muitos tipos de adicção, não interessa qual seja a adicção, todo adicto se envolve com uma relação com um objeto ou evento para conseguir a mudança de humor desejada.
  • O alcoólico experimenta uma mudança de humor, bebendo no bar.
  • O comedor compulsivo experimenta uma mudança de humor comendo demais ou passando fome.
  • O jogador compulsivo experimenta uma mudança de humor apostando no futebol e assistindo o jogo na televisão.
  • O ladrão de loja (cleptomaníaco) experimenta uma mudança de humor roubando roupa numa loja.
  • O adicto sexual experimenta uma mudança de humor folheando revistas pornográficas numa livraria.
  • O gastador compulsivo experimenta uma mudança de humor gastando sem parar.
  • O trabalhador compulsivo (workaholic) experimenta uma mudança de humor, trabalhando sem parar, embora a família necessite dele em casa.
Dor + Adicção = Prazer imediato = Dor Futura
Embora todos os objetos ou eventos descritos sejam diferentes de várias maneiras, eles têm em comum o fato de que produzem as mudanças de humor desejadas nos adictos que se envolvem com elas.
O tratamento da adicção não começou com um grupo de profissionais, mas com as pessoas que sofriam com o problema (Alcoólicos Anônimos em 1935). Quanto mais se foi aprendendo sobre a natureza da adicção com estes pioneiros, descobriu-se que os princípios de recuperação eram também úteis para ajudar pessoas com outras adicções.  Assim começou os Jogadores Anônimos, Narcóticos Anônimos, Comedores Compulsivos Anônimos, Dependentes de Amor e Sexo Anônimos, Cleptomaníacos Anônimos, Gastadores Anônimos, Neuróticos Anônimos e outros grupos de auto-ajuda de Doze Passos.
Porque certos princípios de recuperação funcionam para estes grupos , aparentemente tão diferentes?
A razão aparente é porque a mesma doença esta sendo tratada: a adicção. “A adicção torna-se uma tentativa de dar um ‘sentido emocional” a vida. O adicto  acredita emocionalmente  que está sendo satisfeito. O “alto” criado pela maneira de agir compulsivamente é muitas vezes descrito pelo adicto como uma hora em que se sentem vivos e completos.
Agir compulsivamente é uma maneira de escapar das pressões e do estresse da vida diária, e às vezes da vergonha e da dor criadas pelo processo adictivo.
A mudança de humor criada quando se age compulsivamente cria somente uma ilusão de estar satisfeito:
  • O adicto a comida come demais depois de brigar com seu parceiro e acha uma ilusão de paz. No momento se sente cheio em vez de vazio, mas só por um momento. Nestes momentos há um sentimento intenso de conforto.
  • O adicto ao jogo se perde no jogo e se sente excitado, confiante e seguro de si mesmo.  Nesta hora conhece que agarrou um vencedor.
A adicção começa como uma ilusão emocional
O adicto começa a construir um sistema de defesa para proteger o sistema de crenças adictivo contra ataques dos outros, mas somente após a adicção estar bem estabelecida m um nível emocional. Em um nível intelectual ou de pensamento o adicto sabe que um objeto não pode trazer satisfação emocional. Alcoólicos têm escutado uma velha frase: “Você não pode fugir numa garrafa.” Trabalhadores compulsivos sabem que existem outras coisas na vida além do trabalho. Os gastadores sabem que “dinheiro não pode comprar a felicidade.”
A doença da adicção começa muito profunda na pessoa. O sofrimento que acontece no indivíduo é no nível emocional. Intimidade, positiva ou negativa, é uma experiência emocional. Este sentido de intimidade é experimentado, mas não é pensado logicamente. Adicção é um relacionamento emocional com um objeto ou evento, e os adictos obtêm suas necessidades de intimidade através deste relacionamento. Olhada desta maneira, a lógica da adicção começa a ficar clara:
  • Quando o adicto a comida sente tristeza, come para se sentir melhor.
  • Quando o alcoólico começa a perder o controle sobre a raiva, bebe alguns drinques para ter de volta o controle.
Uma pessoa que tenta entender a adicção usando o pensamento lógico vai ficar frustrada e manipulada pelo adicto. Por isso a terapia  individual (se não estiver aliada a outras formas de tratamento) não é tão eficaz para convencer os adictos a terminar seus relacionamentos adictivos destrutivos.
Podemos resumir a lógica emocional na frase “Quero o que quero e quero agora”. As necessidades emocionais se sente muito urgentes e compulsivas. A lógica emocional trabalha para satisfazer esta urgência mesmo se não for no melhor interesse da pessoa.
A lógica emocional compele a pessoa contra si mesma. A lógica emocional pode ser muito enganosa.“Astuciosa, frustradora, poderosa” é  a maneira mais verdadeira para descrever a lógica emocional encontrada em todas as adicções.  A adicção é mais do que um relacionamento de conveniência.
Geralmente, os relacionamentos das pessoas com objetos ou eventos são “relacionamentos de conveniência.” Significa que manipulamos os objetos para nossa própria conveniência. Estes relacionamentos com objetos são para tornar nossa vida mais fácil e mais confortável. Muitas pessoas têm relacionamentos de conveniência com os mesmos objetos para os quais os adictos ficam dependentes. Normalmente, são relacionamentos, onde não há ligação emocional ou ilusão de intimidade. Para os adictos, porém, o objeto ou evento começa a se tornar mais e mais importante como se tentassem conseguir suas necessidades emocionais e íntimas realizadas por este relacionamento, e eventualmente  torna-se seu relacionamento emocional primordial. Porque experimentam uma mudança de humor, começam a acreditar que suas necessidades emocionadas são satisfeitas. Isto é uma ilusão.
Relacionamentos com objetos são, na verdade, relacionamentos de conveniência. Uma vez que uma pessoa começa a olhar para um objeto ou evento para estabilidade emocional, esta construindo a base de um relacionamento adictivo com ele.
Adicção é um amor patológico em um relacionamento de confiança com um objeto ou evento
Patológico é o que se desvia de uma condição saudável ou normal. Quando dizemos que alguém esta doente, queremos dizer que alguém não esta naquilo que é considerado normal. Patológico significa anormal.
Logo, adicção é um relacionamento anormal com um objeto ou evento. Todos os objetos têm uma função normal, socialmente aceitável.
Comida é para a alimentação. Jogo é para a alegria e a excitação; drogas são para ajudar a vencer as doenças.
Para o adicto estas coisas tem outra função: relacionamento anormal esperando com elas preencher suas necessidades íntimas e emocionais. Nisto é que está a insanidade da adicção. As pessoas normais preenchem suas necessidades íntimas e emocionais em contato com outras pessoas, consigo mesmas, com a sua comunidade e com um Poder Superior. Através de uma combinação equilibrada destes relacionamentos é que as pessoas conseguem uma alimentação emocional saudável.
Quando os adictos ficam preocupados ou agem de maneira dependente isto os leva a se retrair, se isolar dos outros. Quando mais a dependência progride, menos a pessoa consegue se relacionar bem com os outros.
A adicção torna a vida muito solitária e isolada, que cria mais uma necessidade do adicto agir. Quando alguma coisa doer ele procurará a adicção, quando a dor cria uma necessidade emocional, ele procura a adicção para alívio, como qualquer um procura seu parceiro, seu melhor amigo, ou crenças espirituais para alivio.
Para o adicto, a mudança de humor dá a ilusão de que uma necessidade foi realizada.
Welodimer Neustädter 
Psicólogo especialista em dependência química
Clínica Grand House