31 outubro 2012

Álcool Reduz Vida em Até 20 Anos

fonte : Tribuna da Bahia

Álcool reduz vida em até 20 anos

por Leidiane Brandão

Um estudo divulgado recentemente, realizado ao longo de 14 anos pelo Institute of Epidemiology and Social Medicine na University Medicine Greifswald, na Alemanha, mostra que os homens dependentes de álcool têm duas vezes mais chances de morrer do que pessoas da mesma idade que não bebem em excesso.
Entre as mulheres, as taxas de mortalidade são 4,6 vezes maiores do que aquelas que não consomem bebidas alcoólicas.
Para realizar a análise, os pesquisadores estudaram 4 mil pessoas com idades entre 18 e 64 anos, dos quais 153 foram identificados como dependentes do álcool. Destes, 149, sendo 119 homens e 30 mulheres.
O estudo revela que os alcoólicos morrem 20 anos mais cedo, em média, do que a população geral. Segundo a pesquisa, as mulheres tendem a reagir mais a toxinas, como o álcool, do que os homens. Elas também parecem desenvolver doenças ligadas à dependência mais rapidamente.
De acordo com a médica psiquiatra Fabiana Nery, a pesquisa realizada pelos alemães aponta dados importantes, porém, para ser mais consistente, deveria ser reaplicada em populações de outras culturas. No entanto, a especialista ressalta que o uso do álcool ingerido em grande quantidade ou associado à medicação pode causar intoxicação letal.
Segundo Nery, o álcool está relacionado a diversas doenças hepáticas como a cirrose, câncer de pâncreas, esôfago, além de lesões neurológicas. Ela ressalta ainda que uma pessoa que tem problemas de saúde como diabetes, problema de pressão arterial, entre outras, que faz uso abusivo do álcool, terá uma pior evolução da sua doença.
A psiquiatra aconselha que caso o uso do álcool comece a interferir no trabalho, na família e no comportamento de qualquer ser humano, este deve procurar um especialista. O alcoolismo, tratado adequadamente, pode ter cura. 

29 outubro 2012

Paulistana com instrução bebe mais !

fonte : R7

Paulistana com instrução bebe mais, aponta pesquisa

Já homens apresentam oito vezes mais riscos com baixo grau de instrução
O consumo de bebidas alcoólicas está diretamente relacionado ao grau de instrução das mulheres paulistanas: quanto maior o tempo de estudo, maiores os riscos de beberem mais e sofrerem, consequentemente, com problemas ligados à bebida. Essa é a conclusão de um estudo do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (IPq - HC).

"Há quinze anos, a proporção era de sete homens que bebiam para cada mulher. Hoje, temos 1,2 homem para cada mulher que consome bebidas alcoólicas", constata a psiquiatra Camila Magalhães Silveira, uma das autoras da pesquisa. No caso das mulheres com grau de instrução maior e melhores condições econômicas, a situação pode ser ainda mais complexa. "Elas têm de dar conta de mais de um papel. São mães, esposas e profissionais. Sofrem uma cobrança social muito grande".

Já entre o sexo masculino, a escolaridade é um fator de proteção. Homens com baixo grau de instrução apresentam oito vezes mais riscos para o alcoolismo. "A relação entre escolaridade e consumo de álcool reflete uma mudança cultural", diz o conselheiro da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead), Carlos Salgado.

Considerada um indicador socioeconômico, a educação é um sinônimo de independência feminina, tanto emocional quanto financeira. "Mulheres com grau de escolaridade maior são mais independentes e estão mais expostas", explica a pesquisadora do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas (Inpad), Ilana Pinsky. Para Salgado, o álcool acaba sendo utilizado com uma válvula de escape feminino contra o estresse.

26 outubro 2012

Alcoolismo é mais fatal para mulheres

Alcoolismo é mais fatal para mulheres

O vício no consumo do álcool causa danos sérios a todos, mas ele pode ser mais maléfico para mulheres. De acordo com uma nova pesquisa, o alcoolismo é mais fatal para elas do que para os homens.
Uma nova pesquisa desenvolvida na Alemanha acompanhou pessoas enfrentando o alcoolismo por 14 anos. As mulheres participantes que enfrentavam esse problema tinham chances cinco vezes maiores de morrerem durante esse período do que mulheres que não tinham o vício. Entre os homens, a diferença foi mais baixa. Alcoólatras do gênero masculino tinham riscos dobrados de morrerem.
A pesquisa também mostra que pessoas que passam por programas de tratamento do vício não têm mais chances de sobreviverem à doença do que alcoólatras que não tiveram a mesma atitude. “O sistema de tratamento não é adaptado para aumentar o tempo de sobrevivência”, explica o pesquisador Ulrich John, da Universidade de Greifswald.
As pessoas que têm maiores probabilidades de morrerem são aquelas que sofrem de alcoolismo severo, por sofrerem de problemas de saúde relacionados ao vício. Isso explicaria o porquê de programas de desintoxicação terem taxas mais altas de mortalidade. Os participantes desses programas normalmente são pacientes que sofrem de estágios avançados de problemas de saúde.


A pesquisa foi publicada no periódico Alcoholism: Clinical & Experimental Research
Fonte : Live Science 16/10/2012


24 outubro 2012

Alcoolismo Precoce - Audio

Alcoolismo precoce



O ambiente em que o jovem está inserido é decisivo para a influência do alcoolismo. A doença aparece cada vez mais cedo tornando-se uma questão de saúde pública

20 outubro 2012

Abuso de Álcool Associa-se à Risco de Hemorragia Cerebral

Abuso de álcool associa-se a um risco aumentado de hemorragia cerebral

Pesquisa conclui que o consumo excessivo de álcool está associado com a ocorrência de hemorragia cerebral em uma idade jovem.
O consumo excessivo de bebidas alcoólicas associa-se a um risco aumentado de hemorragia cerebral (HC), também conhecida como acidente vascular cerebral hemorrágico.Esta é a constatação de pesquisadores da Universidade de Lille Nord de France. Entre novembro de 2004 e março de 2009 foram recrutados 562 adultos vítimas de uma HC espontânea. Foram excluídos os pacientes sem informação sobre hábito de beber (22 indivíduos).

O consumo excessivo de álcool foi definido como uma ingestão regular de mais de 300 gramas de etanol por semana (cerca de 10 garrafas de 650 ml de cerveja ou 20 taças de 150 ml de   vinho ou 20 doses de 50 ml de uma bebida destilada).

Entre os 540 pacientes com HC incluídos no estudo, 137 foram considerados alcoolistas pesados.Após análise estatística, os bebedores pesados ​​de álcool eram mais propensos a serem mais novos e tabagistas, no entanto, eram menos propensos a terem um histórico de doença cardíaca isquêmica (obstrução das artérias do coração por placas de gordura).

Os autores concluíram que o consumo excessivo de álcool está associado com a ocorrência de HC em uma idade jovem.Os pesquisadores acreditam que a elevação da pressão arterial, o comprometimento de pequenos vasos cerebrais e, ainda, uma deficiência do sistema de coagulação do sangue, possam explicar tal achado.
 
 

18 outubro 2012

Para sustentar alcoolismo indiano tenta vender a esposa

fonte : Fernando Moreira

Indiano tenta vender a esposa por R$ 223 para sustentar alcoolismo

Um homem (à esquerda, na foto) de 42 anos tentou vender a esposa (à direita) pelo equivalente a 223 reais a fim de manter o seu em vício em bebidas alcoólicas. 

De acordo com o "Times of India", Medula Rajender, de Karimnagar (Índia), acertou a venda com um negociador depois de descobrir que o seu salário não estava mais sustentando o vício. 

O canal TV 9 Maharashtra contou que Rajender pôs Ammayi em um ônibus, sem que ela soubesse que o seu destino seria cair nas mãos do negociador que a esperava. 

Mas a mulher desconfiou e desceu do ônibus antes. Ammayi se refugiou na casa de um parente. O caso parou na polícia. 

"Estou casada com Rajender há 20 anos e jamais imaginei que ele seria capaz de um ato tão odioso", disse a esposa. 

Rajender foi preso e o negociador está sendo procurado pela polícia.

Campeão Vive uma Vida de Pobreza Após Alcoolismo - Vídeo

fonte : Conexão Jornalismo

Campeão de Boxe vive uma vida de pobreza extrema depois do alcoolismo - víde

Graciano "Rocky" Rocchigiani, em foto de 2007, quando ainda tinha alguma forma de sustento próprio
Depois de conquistar milhões competindo, o ex-boxeador alemão Graciano "Rocky" Rocchigiani, campeão mundial nas categorias Super-Médio e Meio-Pesado, sofre com sérias dificuldades financeiras. Com problemas de alcoolismo, Rocky perdeu toda a sua fortuna e hoje vive em uma pensão nos arredores de Berlim, recebendo apenas 374 euros (menos de R$ 1 mil) por mês de um programa social alemão denominado Hartz IV, que beneficia os desempregados do país.
Veja uma luta de Rocky:
Vivendo em Grossziethen, a 25 km da capital alemã, Rocky disse ao jornal Bild que é "bom estar afastado dos velhos amigos", pois eles "frequentavam muitos bares". Depois de perder tudo para o álcool, o ex-lutador afirma que a bebida "arruinou" sua vida, mas que hoje não bebe mais.
Em 1998, Rocky recebeu, judicialmente, 3,6 milhões de euros (R$ 9,5 milhões) da Federação Internacional de Boxe, depois que a entidade negou, por engano, um título mundial a ele. Dessedinheiro não sobrou nada, e hoje o ex-campeão vive em uma pensão de 25 m² que conta com apenas uma cama, um armário e uma mesa, café da manhã e da tarde, ao custo de 50 euros (cerca de R$ 130) por dia, pagos por um amigo. Ao Bild, Rocky disse que "quer recomeçar sua vida" e, dessa vez, "fazer tudo melhor".
Além do alcoolismo, o ex-campeão afirma que gastou boa parte do seu dinheiro com taxas, mas, ao menos, está sem débitos atualmente. Ele afirmou que "não tem mais dívidas", mas "já pagou muitos impostos". Por fim, Rocky disse que "quer superar essa crise rapidamente", para voltar a "ganhar o próprio dinheiro".

11 outubro 2012

O que é alcoolismo ? Efeitos da Bebida Sobre o Cérebro

    • O que é alcoolismo?

O alcoolismo é o conjunto de problemas relacionados ao consumo excessivo e prolongado do álcool; é entendido como o vício de ingestão excessiva e regular de bebidas alcoólicas, e todas as conseqüências decorrentes. O alcoolismo é, portanto, um conjunto de diagnósticos. Dentro do alcoolismo existe a dependência, a abstinência, o abuso (uso excessivo, porém não continuado), intoxicação por álcool (embriaguez).
    • Principais problemas causados pelo alcoolismo:

Diversos são os problemas causados pela bebida alcoólica pesada e prolongada:
 Sistema Cardiovascular - Doses elevadas por muito tempo provocam lesões no coração provocando arritmias e outros problemas como trombos e derrames conseqüentes. É relativamente comum a ocorrência de um acidente vascular cerebral após a ingestão de grande quantidade de bebida.
 Outros problemas que o alcool pode acarretar ao organismo:
 Amnésias nos períodos de embriaguez acontecem em 30 a 40% das pessoas no fim da adolescência e início da terceira década de vida Induz a sonolência, mas o sono sob efeito do álcool não é natural. 
 Grande quantidade de álcool ingerida de uma vez pode levar a inflamação no esôfago e estômago o que pode levar a sangramentos além de enjôo, vômitos e perda de peso. Esses problemas costumam ser reversíveis, mas as varizes decorrentes de cirrose hepática além de irreversíveis, são potencialmente fatais devido ao sangramento de grande volume que pode acarretar. Pancreatites agudas e crônicas são comuns nos alcoólatras constituindo-se uma emergência à parte. A cirrose hepática é um dos problemas mais falados dos alcoólatras; é um problema irreversível e incompatível com a vida, levando o alcoólatra lentamente à morte.
 Câncer - Os alcoólatras estão 10 vezes mais sujeitos a qualquer forma de câncer que a população em geral.



Efeitos do Álcool sobre o Cérebro


Os resultados de exames pos-mortem (necropsia) mostram que pacientes com história de consumo prolongado e excessivo de álcool têm o cérebro menor, mais leve e encolhido do que o cérebro de pessoas sem história de alcoolismo. Esses achados continuam sendo confirmados pelos exames de imagem como a tomografia, a ressonância magnética e a tomografia por emissão de fótons. O dano físico direto do álcool sobre o cérebro é um fato já inquestionavelmente confirmado. A parte do cérebro mais afetada costumam ser o córtex pré-frontal, a região responsável pelas funções intelectuais superiores como o raciocínio, capacidade de abstração de conceitos e lógica. Os mesmos estudos que investigam as imagens do cérebro identificam uma correspondência linear entre a quantidade de álcool consumida ao longo do tempo e a extensão do dano cortical. Quanto mais álcool mais dano. Depois do córtex, regiões profundas seguem na lista de mais acometidas pelo álcool: as áreas envolvidas com a memória e o cerebelo que é a parte responsável pela coordenação motora.

Única saída para Adriano salvar carreira e ( a vida ) assumir o alcoolismo

publicado em 03/10/2012 R7 - Eduardo Marini


Única saída de Adriano para salvar carreira (e vida): assumir e tratar problema de álcool como doença

Até o cidadão acima aconselhou Adriano a beber menos, bem menos, pouco, muito pouco, pouco mesmo, quase nada ou mesmo nada. A maneirar, enfim. A situação não é, convenhamos, exatamente confortável...
Em reportagem publicada no Globoesporte.com, o repórter Janir Júnior reproduz parte dos passos de Adriano Imperador no sábado (29), segundo dia consecutivo em que ele não foi treinar no Flamengo no final de semana passado.

Depois de ir a uma boate da Barra da Tijuca na madrugada anterior, o jogador passou a manhã de sábado na favela do Chapadão, comunidade ainda não pacificada do bairro de Costa Barros, zona norte do Rio de Janeiro, o segundo mais pobre e um dos mais violentos da Cidade Maravilhosa.

Como nas visitas à sua Vila Cruzeiro natal e a outras favelas, o Imperador tomou umas e outras, andou pelas vielas apertadas do morro e cruzou com traficantes.

Não consumiu drogas, mas um detalhe chamou a atenção de um dos líderes do tráfico local, Luis Fernando Nascimento Ferreira, o Nando Bacalhau.

Preso nesta segunda-feira (2), o chefe do tráfico do Chapadão, Luis Fernando Nascimento Ferreira, o Nando Bacalhau, contou a policiais detalhes de uma recente visita ao morro feita por Adriano, ainda de muletas, dias depois de sua segunda cirurgia no tendão de Aquiles, para um churrasco.

Bacalhau detalhou aos policiais:

- Ele é maluco. O Imperador é maluco. Não usa droga nenhuma, mas bebe demais. É impressionante. Já cansei de falar para ele, tento dar conselho, mas não adianta.

Neste mesmo sábado, Adriano teria mandado uma sequência de torpedos SMS ao diretor de futebol do Flamengo, Zinho, que fizesse de tudo para manter suas faltas longe dos jornalistas e torcedores.

Em um deles, chegou a pedir a Zinho de forma quase infantil :

- , irmão, segura essa para mim.

O “perdido” anterior de Adriano, dado no último dia 3 de setembro, teve roteiro e cenário muito semelhantes. Após desembarcar com time no aeroporto, no início da madrugada de uma segunda-feira, vindo de Porto Alegre, deu uma festinha para amigos e vizinhos em casa e, no embalo, seguiu para a favela em que foi criado, na Vila Cruzeiro, também na zona norte do Rio.

À tarde, quando deveria estar cuidando da forma e do tendão no Ninho do Urubu, foi visto, inclusive pelo comandante da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) local, participando de um churrasco, comprando e tomando breja com os amigos. Ao deixar a comunidade, envolveu-se, com seu carro, num acidente sem vítimas com uma moto.

Sem qualquer contato com os dirigentes, o atacante não apareceu no Ninho do Urubu. Na hora em que deveria estar treinando, o jogador foi visto na favela da Penha, onde acabou se envolvendo num choque entre sua BMW e uma moto. Mais uma vez, Zinho e Flamengo foram os últimos a saber.

Se Adriano não quer assumir ter uma doença, não vou discutir o seu direito.

Mas posso achar que ele está fazendo mal para si próprio e comentar o que representam pessoas com o seu perfil.

Cruzados ou vistos separadamente, todos os comportamentos, posturas, dificuldades e descrições feitas sobre Adriano nos últimos anos, a coroar com esta de Nando Bacalhau, formam um único perfil: o de um alcoolista, um doente do alcoolismo.

Alguém ligado ao que se convencionou chamar de alcoólatra, mas não como algo vergonhoso, e sim como um paciente, um doente que precisa – e muito – de tratamento – e de muito tratamento.

Vamos ser bem claros sobre o que é o alcoolismo e como ele deve ser combatido.

O alcoolismo é uma doença, produzida por uma série de influências sociais, psicológicas, físicas, genéticas e até alérgicas, que faz o sujeito perder o controle e o limite sobre a quantidade de birita que toma.

E também sentir uma falta tremenda, doente, caracterizada por tremedeira, perda de controle emocional, impulsos violentos e/ou depressivos e outras reações terríveis quando fica sem consumir álcool.

Por todas as causas descritas acima, o alcoólatra, ou alcoolista, parece ter um tubarão adormecido dentro de seu organismo, numa imagem tragicamente bela criada pelo falecido psicanalista Eduardo Mascarenhas.

Sempre que o alcoolista joga o primeiro gole para dentro, esse tubarão desperta e enlouquece a pessoa, tirando o seu controle e exigindo cada vez mais, e mais, e mais, e mais, e mais cerveja, cachaça, vinho, álcool puro, o que tiver à frente...

Quem não tem o conjunto de características de um alcoólatra toma o primeiro chopinho, o segundo, às vezes o terceiro e, felizmente para.

Mas os 6% a 13% dos seres humanos no Brasil e no mundo que possuem as características da doença chegam ao terceiro e... embalam até ficar bêbado ou cair.

Ela acaba com o corpo, a vida social e, por fim, a própria vida física do sujeito.

A ciência ainda não conseguiu mapear todas as causas do alcoolismo para descobrir a forma de curá-lo em todas as suas manifestações.

Por isso, ao menos até agora, ele é progressivo e incurável.

Progressivo, neste caso, significa o seguinte: ele vai aumentando a vida inteira. O camarada se contenta com duas cachaças esta semana, três na semana que vem, quatro na outra, até passar a virar um, dois litros por dia.

E incurável pelo seguinte: ainda não há remédio, vacina, massagem, alimento ou terapia que “tire” o alcoolismo do corpo de uma pessoa.

Por isso, a verdade mais clara é a seguinte: não existe ex-alcoólatra.

Existe alcoólatra que parou de beber – mas se voltar a colocar um gole de álcool no corpo, o tubarão acorda e aí já viu: ele volta ainda mais embalado, bebendo muito mais.

Os fantásticos escritores João Ubaldo Ribeiro e Ruy Castro (este último úm rubro-negro de quatro costados, por sinal), só para dar dois exemplos, jamais se dizem ex-alcoólatras ou alcoólatras curados.

Eles se definem como alcoolistas ou alcoólatras que não bebem mais.

Fazem isso porque, inteligências raras que são, sofreram com o problema e, no decorrer do processo de abandono, estudaram muito sobre a questão.

É besteira Zinho ou qualquer outro no Flamengo achar que Adriano não faltará mais ao trabalho.

O problema, na imagem tragicamente bela criada pelo psicanalista Eduardo Mascarenhas, é quando a talagada inicial da jornada "acorda e desespera o tubarão adormecido" que há dentro de cada alcoolista. Nenhum alcoólatra tem dificuldade para parar de beber. Toda a questão é, depois de um porre, não voltar a beber...
Vai faltar sim: mais uma, duas, cinco, dez, quinze vezes.

Tratado ou não – mesmo porque há recaídas nos tratamentos previstas pelos especialistas.

É uma covardia manter esse rapaz em atividade sem força-lo a um tratamento.

Zinho e o Flamengo deveriam trazer Adriano para passar dois ou três dias conversando em São Paulo com especialistas como Ronaldo Laranjeira e Dartiu Xavier.

Laranjeira é médico psiquiatra, coordena a Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas na Faculdade de Medicina da UNIFESP (Universidade Federal do Estado de São Paulo) e é PhD em Dependência Química na Inglaterra.

Xavier é diretor de um dos criadores do Programa de Orientação e Assistência a Dependentes, o Proad, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

São, provavelmente, os dois maiores especialistas em dependência de álcool do País e do mundo.

Eles iriam fazer muito bem a Adriano.

E ensinar a Zinho e ao Flamengo que o problema do Imperador não se resolve apenas com essa “força” que cartolas e jogadores desejam dar ao camarada, na linha “mas ele também tem que querer”, como se o problema fosse moral ou de auto-ajuda, porque isso isoladamente quase nunca resolve nada.

Alcoolismo não é vagabundagem, fraqueza ou desvio de caráter.

O pai, o tio ou o vizinho que tenta sozinho para de beber oceanos por dia, aquele cidadão que você encontra no boteco às sete da manhã, vermelho, macambúzio, abatido, tomando uma com cara de quem já tinha se destruído de cana até três horas atrás, enquanto você mata sua média com pão e manteiga, não é um cretino, um masoquista, um sofredor tarado, um maluco que ama sofrer.

Ele é um doente químico, um dependente, um viciado, um cara que perde todas as batalhas para a bebida, todos os dias, por falta de orientação de especialistas corretos e seguros.

Por tudo o que se disse, o alcoolismo é uma doença que acaba com corpo, implode a carreira, queima o filme do doente, atrai preconceito de desinformados, só piora com a continuação do consumo.

Tudo isso e, como se não bastasse, mais um pouco do pior dos mundos: é uma doença que ainda não tem cura.

Não vai embora, junto com o seu sofrimento, após cinco dias de tratamento com um anti-inflamatório de oito em oito horas.

Por isso, a suprema maioria dos alcoolistas faz como Adriano: simplesmente não assume a doença. E, não assumindo, não cuida dela como se deve.

Adriano precisa de remédios e terapias corretos e apropriados, indicados por gente do ramo.

E de não voltar a beber.

Mesmo porque, como se diz ironicamente no meio, nenhum alcoólatra tem problema em parar de beber: toda vez que chapa, ou seja, tomba de porre, ele para. O problema é que, assim que o corpo dá mostras de suportar algo novamente, ele volta...

Assim, o problema de Adriano - como o de todos os alcoolistas - não é parar, mas de não voltar a beber.

Mesmo tratado corretamente ele terá recaídas, várias talvez, mas com bons especialistas poderá salvar o resto de carreira e a vida.

Ele só tem esta única saída para salvar carreira e vida: assumir o alcoolismo como doença e tratá-lo como tal.

Mas, para isso, precisa assumir - e ser apoiado nesta atitude por quem supostamente o ama ou ao menos o quer bem, comunidade do Flamengo incluída.

Enquanto não aprendem isso, ele, os amigos que o protegem e o clube só contribuem para que ele, aos poucos, agonize e destrua sua dignidade em praça pública, diante da ignorância técnica de todos.

Sem um tratamento específico e sério, essas psicologias motivacionais baratas comuns no universo da bola, a tal "força" dos amigos, o empurrão do tal grupo e as supostas ações de ajuda do Flamengo não adiantarão de nada.

Ao contrário: só trarão prejuízos, adiando a aplicação do verdadeiro "remédio" para a situação e dando a Adriano, enquanto isso, chances e chances de se afundar de vez.

Agora Zinho e Flamengo, tenham certeza: do jeito que a coisa está sendo tocada (ou não tocada), Adriano ainda dará muitos "no shows" e mandará inúmeros torpedos com "segura essa e mais essa para mim".