25 abril 2013

Alcoolismo causa impotência


O alcoolismo e a impotência sexual


Aproveitando o embalo das 10 bebidas que deixam as mulheres mais propícias ao sexo, nada melhor do que jogar água no chopp da rapaziada e conversar sobre um assunto que deixa muito marmanjo de cabelo em pé, aliás, nem tão em pé assim. tô falando da popular “broxada”. E sim amigos, beber demais também é motivo para falhar na hora H.
Geralmente, a ingestão do álcool em doses moderadas estimula sexualmente o homem, fazendo com que os mais inibidos fiquem mais relaxados na hora da conquista e blá,blá,blá…, essa história já é mais do que conhecida. inclusive pesquisas científicas provaram que os homens considerados bebedores moderados possuiam um desempenho sexual melhor do que os abstêmios. Mas como estamos tratando de pessoas alcoolistas, ou seja, doentes alcoolicos, temos que levar em consideração o alto consumo de álcool, o que ocasiona severas disfunções sexuais.
O álcool interfere diretamente na função sexual masculina, podendo causar infertilidade por meio da atrofia das células produtoras de testosterona, levando a uma diminuição dos hormônios masculinos (o que contribui no surgimento da impotência) e até mesmo no aparecimento dos casos de ginecomastia, ou seja, o aumento das mamas no corpo do homem (quer coisa mais broxante que isso?). Sem contar os danos causados diretamente nos nervos ligados à ereção, o que leva a um quadro patológico. Vale ressaltar também os danos causados nas mulheres, tal qual a alteração da produção hormonal feminina, e consequentemente mudanças no ciclo menstrual, infertilidade e características sexuais femininas afetadas.
Contudo, as  disfunções sexuais oriundas do psicológico do alcoolista são as mais preocupantes. A mudança de comportamento do paciente alcoólico após a bebedeira, transformando-o em uma pessoa socialmente agressiva, é digna de atenção especial. Quem nunca viu em um noticiário ou ouviu falar da típica história do homem que bebe demais, sai do bar, persegue e estupra uma mulher, muitas vezes a matando. Com muita freqüência a bebida parece responsável pela desinibição e liberação de comportamentos violentos e sexualmente agressivos, e essa é uma situação que deve ser combatida em sociedade.
Beber moderadamente só estimula o prazer, seja ele sexual ou não, e é a bandeira que a equipe etilicos.com "levanta". Esse é um "instrumento" feito para você, que leva uma vida"para cima", gosta de estar sempre "por dentro" das novidades etílicas e que é esperto o suficiente para saber que encher a cara, tomar atitudes de mané, e por a culpa no álcool é coisa pra " JUMENTO "..
Lembre-se: jogue " duro " contra o alcoolismo! um abraço a todos.

24 abril 2013

Maria Lydia entrevista psiquiatra Ana Cecília a respeito de alcoolismo - Vídeo


Alcoolismo é tema de entrevista no Jornal da Gazeta

A jornalista Maria Lydia Flandoli, do Jornal da Gazeta (TV Gazeta), realizou uma entrevista com a psiquiatra e professora da Unifesp Ana Cecília Marques sobre o alcoolismo.
Durante a entrevista, a médica ressaltou os efeitos nocivos do álcool na adolescência. “Os estudos apontam que, quanto mais cedo o jovem começar a beber, maior a taxa de dependência ao longo da vida. Eles começam a beber cada vez mais cedo, em doses maiores e isso compromete a vida dele como um todo. Compromete o cérebro, seu relacionamento social, seu aproveitamento acadêmico e, principalmente, seu relacionamento familiar”, disse Ana Cecília.
A genética não é o fator determinante que leva o jovem ao alcoolismo. Ana Cecília explica que, na verdade, é um conjunto de fatores que pode fazer uma pessoa ser dependente do álcool. “Para que o individuo desenvolva a dependência existem vários fatores e não necessariamente a genética é o fator único. E mais complexo do que isso é dizer que cada um tem um conjunto de fatores. Então, não existe um perfil, mas existem fatores de risco que podem levar a essa doença tão grave”, esclarece.
No fim da entrevista, questionada sobre o que seria ‘beber com moderação’, a psiquiatra alerta que toda dose pode trazer riscos. “Não existe beber seguro, existe beber uma dose mínima com chance de ter problemas”, finaliza. A entrevista completa pode ser assistida logo abaixo:

http://youtu.be/q44vUyXG9ZU

Como a sociedade pode ajudar na prevenção e conscientização dos adolescentes e jovens sobre o uso do álcool? Deixe sua opinião!

21 abril 2013

Ex-goleiro João Marcos supera alcoolismo e resgata família

João Marcos com a filha Maria do Carmo


Ex-goleiro da seleção, João Marcos supera alcoolismo e resgata família

José Ricardo Leite
Do UOL, em São Paulo
João Marcos como goleiro da seleção no único amistoso que jogouOs anos de 1983 e 84 pareciam ser promissores para João Marcos Coelho da Silva. Então goleiro do Grêmio, ele começava a receber oportunidades na seleção brasileira e vislumbrava uma vaga no time que disputaria a Copa do Mundo de 1986, no México.

Foi convocado duas vezes até receber em 1984 a primeira chance como titular, em um amistoso contra o Uruguai, em Curitiba. O Brasil venceu por 1 a 0, com boa atuação de João Marcos, que foi goleiro por quatro anos do Palmeiras e também passou por Guarani e Noroeste, entre outros. “Foi o dia mais importante da minha vida”, recorda.

Mas, na época, João Marcos passou a sofrer com dores em função de uma luxação no ombro esquerdo. Ouviu de um médico que uma operação não teria efeito duradouro para prosseguir a carreira e decidiu se aposentar precocemente, em 1986, sem disputar a Copa e nem voltar a ter chances na seleção.

A parada brusca não teve efeito negativo na questão financeira, como ocorre com muitos ex-jogadores que não sabem o que fazer quando param de jogar. O ex-goleiro passou a administrar uma fazenda. Mas o momento da aposentadoria o prejudicou de outra forma: na parte psicológica.

“Depois que eu parei, a coisa me pegou. Fiquei revoltado por ter parado na hora errada. Você está acostumado com aquilo da adrenalina e de repente entra numa vida calma e tranquila. Foi um baque forte. Sentia falta do que fazia. Imagina só chegar numa seleção brasileira e de uma hora para outra ver isso morrer", afirmou.

A “coisa” a que o ex-jogador se refere foi o alcoolismo, doença que o abateu por aproximadamente 20 anos. Há cerca de 14 anos João Marcos disse ter identificado que era um dependente. Foi quando passou a procurar ajuda. Chegou a ir quatro vezes para clínicas de reabilitação, sendo que em uma delas recebeu a ajuda do jornalista Milton Neves. 

Ele chegou a ficar no máxino nove meses em tratamento numa clínica. Queria sempre ir embora. Esteve, segundo relato próprio, entre a vida e a morte por uma crise de cirrose. Teve delicado quadro clínico com uma hemorragia no esôfago. Viu o casamento ruir e a consequente separação, com a falta de confiança dos familiares.
“Ela [ex-mulher] se separou porque eu bebia mesmo. Ela tinha razão. Não dava certo. Eu fazia meu serviço, mas de noite esquecia tudo”, falou. “Você chega a perder o respeito dos amigos e das pessoas que mais admira. Não digo que é o fundo do poço porque ele não tem fim. Perdi meus filhos e meus amigos”, completou.

Das bebidas em casa, João Marcos passou a frequentar bares com companhias que antes não faziam parte da sua vida. E dali para a pouca dedicação ao trabalho, lucros menores e deterioração da relação com as pessoas próximas. Começou a tomar cerveja, depois whiksy e depois as mais diversas bebidas. “Era praticamente um indigente. Isso arrebenta com a sua própria vida. Acaba perdendo tudo. Começa a ter outro nível de amigos que são dependentes igual a você e também não fazem nada”, lembrou.

E foi num dos poucos amigos que restaram que João Marcos se inspirou para buscar uma virada. Conseguiu, há aproximadamente cinco anos, se livrar de vez. Afirma estar esse tempo todo sem consumir uma gota de álcool sequer. Resiste fortemente quando vai a festas e eventos.  Diz que se apegou muito na religião e passou a ler a Bíblia.

“Comecei a ler a Bíblia, me interessar por essas questões e as coisas foram se encaixando. Nunca tinha me interessado por esses assuntos, por esse lado. Mas foi o que me motivou e mexeu para conseguir sair de vez.. A fé que eu tive em Deus e o milagre que ele fez na minha vida foram fantásticos. Não tem explicação. Não conheço ninguém que saia sozinho. E eu saí com ajuda dele”, falou.
Ex-goleiro (ao fundo de óculos) posta foto em rede social em palestra para jovens“Não posso e não bebo nada. Um copo pra mim é muito, a ponto de desestabilizar. É uma coisa que tem que deixar de gostar mesmo. Hoje vou pro bar, restaurante, festa, e a pessoa pode beber do meu lado e não quero”, afirmou. Ele tem se tratado com remédios e está com o problema de cirrose controlado.

Lidar com o vício pode ter sido duro, mas não era o fim da missão e das dificuldades. João Marcos agora luta para ajudar quem sofre de seu problema como uma retribuição à vida pela cura e para mostrar a  todos que o pior já havia passado.

"Você não pode sair e achar que todo mundo te perdoou e vão fazer festa. Você volta lá embaixo e vai ter que engatinhar. Não pode deixar cair e aos poucos vai recuperando. Encarei que acabei vindo ao mundo pra uma missão”, afirmou.
 
João Marcos se casou novamente, voltou a ter uma boa relação com os filhos e passou a se dedicar a projetos sociais em parceria com a prefeitura de Botucatu, onde vive atualmente, e com um clube da cidade, a Associação Atlética Botucatuense, para orientar as crianças na prática de esportes e também em ajuda aos carentes.

Trabalha como professor dessas escolinhas. Disse que em 2012 teve contato com aproximadamente 500 crianças. Pediu a contratação até um psicólogo para fazer parte do grupo de apoio. Não cobra nada dos jovens e recebe remuneração à parte da prefeitura e do clube.

Arrecada material para distribuir para jovens carentes e, mais do que isso, usa de sua vida para tentar evitar que outras pessoas tenham desvios e passem pelo mesmo problemas. Faz vários alertas e tenta evitar ao máximo escorregões das pessoas que convive.
João Marcos no Palmeiras 
Goleiro no time no qual atuou na década de 80
“Eu uso minha vida e mostrando como eu errei. Todo mundo erra. Meu erro foi forte e hoje dou palestra sobre dependência e para falar de como sair do vício. Tento mostrar os caminhos pra sair. Procuro mais não deixar eles [jovens] entrarem. Pra sair o custo é alto, tanto na parte financeira como na psicológica. Sei como é difícil tirar alguém. Dou palestras em escolas, ONGs e nas escolinhas que eu ministro. As crianças são o futuro. Pego em cima na questão do álcool e das drogas", explicou.
O ex-goleiro diz acordar às 5h para levar a mulher para trabalhar . Depois pratica natação das 6h às 7h. Às 9h já começa a dar suas aulas na escolinha e faz o mesmo no período da tarde. Agora, o período da noite é bem diferente de antes. Trocou os bares e bebidas pela companhia da família, filmes e novelas. E os filhos, que antes estavam resignados, agora estão orgulhosos do pai.

“Pra mim foi algo muito gratificante. Teve época que eu não acreditava mais que isso [a recuperação] fosse acontecer. Eu só voltei ao lado dele por causa disso [da superação]. Bastou ele acreditar pra ver que conseguiria. Foi onde nos motivou a voltar a ver que ele poderia ser alguém diferente”, falou o filho Jean.

“Isso pra mim hoje é uma felicidade. Perdi os filhos, amigos. E hoje vejo os filhos todos comigo. Aqueles que gostavam de mim voltaram. Vi quem era meu amigo e me sinto feliz por toda essa volta por cima", falou João Marcos.
QUEM TE DISSE QUE VOCÊ NÃO CONSEGUE ? LUTE !



19 abril 2013

Consumo frequente de álcool cresceu 20% nos últimos seis anos

fonte : VEJA


Álcool

Consumo frequente de álcool cresceu 20% nos últimos seis anos

Levantamento aponta que a ingestão nociva de bebidas alcoólicas teve aumento de 30%. As mulheres estão no grupo com maiores riscos

O número de brasileiros que ingerem bebida alcoólica frequentemente (uma vez por semana ou mais) aumentou 20% nos últimos seis anos — subiu de 45% para 54% entre bebedores. Os dados fazem parte da segunda edição do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), divulgado nesta quarta-feira pela Universidade Paulista de Medicina (Unifesp). Segundo o estudo, metade da população brasileira não consome bebida alcoólica em nenhuma circunstância. Mas, dentro da outra metade (48%) que é consumidora, a ingestão nociva da bebida sofreu um aumento de 30%.

Efeitos prejudiciais de beber:

• 32% dos adultos que bebem disseram já não ter sido capazes de parar depois de começar a beber (21.8 milhões de pessoas)

  1. • 10% declararam que alguém já se machucou em consequência do seu consumo de álcool (6.6 milhões de pessoas)
  2. • 8% admitem que o uso de álcool já teve efeito prejudicial no seu trabalho (7.4 milhões de pessoas)
  3. • 4,9% dos bebedores já perderam o emprego devido ao consumo do álcool (4,6 milhões de pessoas)
  4. • 9% admitem que o uso de álcool já teve efeito prejudicial na família ou em seu relacionamento (12,4 milhões de pessoas)
  5. * Fonte: Lenad 2012
Na primeira edição do Lenad, em 2006, 45% dos brasileiros que bebem afirmaram consumir bebidas alcoólicas pelo menos uma vez na semana. Em 2012, esse número saltou para 54%, um aumento de 20%. Proporcionalmente, o aumento no consumo foi mais expressivo entre as mulheres que bebem. Em 2006, 29% delas consumiam a bebida frequentemente. Em 2012, o número subiu para 39% — um aumento de 34,5%. “Uma hipótese para esse aumento no grupo feminino pode ser o maior número das publicidades voltadas para as mulheres”, diz Ronaldo Laranjeira, coordenador do levantamento e professor da Unifesp.
As mulheres são ainda o grupo que apresenta maiores riscos em relação ao beber de forma nociva (alto consumo de álcool em um curto período de tempo). O beber em binge, termo em inglês usado para caracterizar o consumo de grandes quantidades de álcool (4 doses para mulheres, 5 para homens) em um curto espaço de tempo (cerca de duas horas), também teve um aumento maior entre elas. Em 2006, 36% das mulheres que consumiam álcool relataram beber em binge. Em 2012, esse número subiu para 49%, um salto proporcional de 36% — dentro da população total que consome álcool o aumento foi de 31,1%. De acordo com a pesquisa, o aumento no consumo entre as pessoas que já bebiam álcool pode ser relacionada a uma melhor condição financeira. "A população, em geral, subiu uma classe social. Quem não bebe, investiu esse dinheiro em outras coisas. Quem já bebia, acabou bebendo mais", diz Laranjeira.
Abuso — Os dados do levantamento mostraram ainda que 5% dos adultos que mais bebem consomem 24% de todo o álcool ingerido por adultos no Brasil. Entre os 48% que consomem álcool, 16% ingerem quantidades nocivas de álcool e 17% apresentam critérios para classificação de abuso e/ou dependência. O abuso é caracterizado por uma ingestão alcoólica que coloca a pessoa em situações de risco, como se envolver em brigas e discussões. Já a dependência está mais relacionada ao hábito constante de consumo, afetando o cotidiano da pessoa e podendo até mesmo levar a crises de abstinência. “O álcool está relacionado com casos de violência doméstica e contra a criança. Esse é um problema de saúde pública que precisa ser controlado”, diz Laranjeira. A bebida está ainda relacionada com problemas sérios de saúde. Segundo Laranjeira, o álcool pode causar problemas cardíacos, como arritmias e hipertensão, além de estar vinculado a 30% de todos os tipos de câncer.
Para o especialista, políticas públicas como a Lei Seca resolvem apenas o problema pontual de dirigir embriagado. “No caso do álcool, é necessário que se tenha políticas que desestimulem o consumo, como o aumento no preço das bebidas e restrições nos horários de venda”, diz. A intervenção poderia ajudar ainda a reduzir casos de violência em decorrência do álcool. Dados do Lenad apontam, por exemplo, que 10,3% dos homens jovens (menos de 30 anos de idade) que são bebedores problemáticos andam armados — essa proporção é de 5% na população em geral. Os casos de envolvimento em brigas com agressões físicas também disparam com a presença do álcool: de 3% entre os homens na população em geral para 27% entre os que abusam ou são dependentes do álcool.



18 abril 2013

Cerveja sem álcool ativa área do cérebro ligada ao vício

fonte : G1



Cerveja sem álcool aciona área do cérebro ligada ao vício, diz estudo

Pesquisa aponta que o simples gosto é suficiente para ativar sistema.
Efeito é maior em pessoas com histórico de alcoolismo na família.


O sabor da cerveja sozinho, mesmo sem qualquer efeito alcoólico, ativa o sistema de recompensas do cérebro, revela um estudo publicado nesta segunda-feira (15).
Neurologistas da Universidade de Indiana pediram a 49 homens que escolhessem beber entre sua cerveja favorita e um isotônico, tipo de bebida utilizada por quem pratica esportes, enquanto seus cérebros eram escaneados por uma tomografia.
O objetivo foi observar a dopamina, elemento químico em uma área do cérebro denominada estriado ventral, que dá a sensação de recompensa.
A cerveja foi racionada em minúsculas porções -- apenas 15 mililitros ou uma colher de sopa a cada 15 minutos -- de forma que o cérebro pudesse ser escaneado sem a influência tóxica do álcool.
Apenas sentir o gosto da cerveja ativou os receptores de dopamina e este efeito foi maior do que no caso do isotônico, mesmo que muitos voluntários tenham dito preferir o gosto de refrigerantes, afirmaram os cientistas.
O efeito da dopamina foi significativamente maior entre os voluntários com histórico familiar de alcoolismo, explicaram.
"Nós acreditamos que esta é a primeira experiência em humanos a demonstrar que apenas sentir o sabor de uma bebida alcoólica, sem qualquer efeito intoxicante alcoólico, pode trazer à tona a atividade da dopamina nos centros de recompensa do cérebro", afirmou David Kareken, professor de neurologia que chefiou os experimentos.
A dopamina tem sido há muito tempo associada ao forte desejo de uma substância. Em casos isolados, há registros que sugerem que ela pode ser ativada pelo som, pela visão ou pelo cheiro de um bar.
Consequentemente, os cientistas se concentraram em técnicas para evitar ou minimizar estes gatilhos. Enquanto isso, especialistas em farmacologia estudam tratamentos para bloquear a resposta das células à dopamina.
O estudo, publicado no periódico "Neuropsychopharmacology", provocou respostas contraditórias em especialistas externos.
Alguns consideraram o estudo inovador, enquanto outros consideram que foi muito restrito e muitos ficaram intrigados com o fato de uma conexão familiar com o alcoolismo ter sido vinculada com uma resposta maior da dopamina.
"Sabemos que a exposição a estas recompensas condicionadas às vezes é o gatilho que induz dependentes químicos em abstinência a sofrer recaída", disse Dai Stephens, professor de psicologia experimental da Universidade britânica de Sussex.
"Entender o mecanismo por trás das diferenças nas consequências deste tipo de condicionamento entre indivíduos com e sem riscos de sofrer de alcoolismo poderia apontar caminhos para reduzir esses riscos", acrescentou.


17 abril 2013

As armadilhas do alcoolismo

fonte : Revista Raça Brasil

As armadilhas do ALCOOLISMO
No fim de tarde os bares de todo o País ficam lotados e, entre um papo e outro, rola uma bebida. Se não tomarmos cuidado, esse pode ser o início de um problema

POR SILVANA INÁCIO


O alcoolismo já é a terceira doença de maior incidência entre os brasileiros - só fica atrás dos males do coração e do câncer, sendo que o álcool faz mal ao coração e tumores (e outras doenças degenerativas) são acelerados com o consumo de álcool. Foi o que concluiu o estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS) realizado no ano 2000. Segundo o levantamento, o consumo de álcool é responsável por perto de 6% de todas as mortes de homens no mundo inteiro e de quase 1% de mulheres.
O álcool é, disparado, a principal substância psicoativa que existe. A grande responsável por isso é a imensa variedade de bebidas alcoólicas à disposição em qualquer parte do planeta. O Brasil, por exemplo, é o primeiro lugar do mundo no consumo de destilados de cana-de-açúcar e o quinto maior produtor de cerveja.
O Ministério da Saúde calcula que existem mais de 12 milhões de brasileiros dependentes de álcool. Esse número assustador fez a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) pesquisar mais profundamente os hábitos etílicos da população. Os dados revelam que se começa a beber cada vez mais cedo. A idade do primeiro gole de álcool caiu de 16 para os 14 anos. Apesar de crescer com maior vigor entre adolescentes, os indíces também demonstram que não há uma faixa etária dominante. Nem classe social. As famílias do sertão do Nordeste sofrem os mesmos problemas daquelas que vivem nos grandes centros urbanos. A diferença está na oportunidade que alguns têm para se tratar e outros, não.
OS EFEITOS DA BEBIDA
O uso abusivo de álcool é um fator de risco para várias doenças
Diminuição das funções cerebrais:consumido por muito tempo, o álcool prova danos à memória, como esquecimento de fatos recentes. Na dependência, é comum a dificuldade de aprendizagem e concentração.
Câncer: a bebida inflama a parede que reveste o estômago, e o pâncreas, e aumenta as chances de surgir tumores malignos nesses órgãos.
Males cardíacos: o uso freqüente provoca lesão no miocárdio, uma estrutura muscular. Isso pode gerar alterações no ritmo dos batimentos. Há chances de parada cardíaca.
Cirrose: o álcool mata as células do fígado. A agressão crônica causa lesão séria no órgão. Se a situação evoluir, pode surgir um tumor.
Na gravidez: não se conhece ainda qual o limite de álcool permitido nesse período. Assim, os especialistas não recomendam beber na gestação. As grávidas dependentes podem ter bebês com dificuldades motoras.
Impotência: o consumo excessivo prejudica o sistema nervoso central e causa depressão, diminuição e perda da função sexual.d
É preciso vencer a vergonha
A maior parte dos dependentes foge da figura caricata da pessoa que arrasta- se de bar em bar. A esmagadora maioria dos alcoólicos é composta por gente que concilia a frágil relação entre a necessidade do álcool e os compromissos sociais por dez, 20 anos.
Apesar da tragédia social que representa para milhões de famílias brasileiras e do impacto que tem nas estatísticas de saúde pública do País, o álcool é tratado como droga leve pela legislação brasileira. O perfil "preocupante" foi desenhado com precisão pelo grupo Alcoólicos Anônimos, AA, que tornou-se referência na recuperação de mais de 2 milhões de dependentes em mais de 150 países. O grupo oferece o anonimato e quebra a barreira do medo e da vergonha nos pacientes, traindo-os para um universo de conforto e esperança.
"Conheci o AA por meio do pai de minha filha, que é dependente de álcool. Nessa época eu bebia quase diariamente e tinha perdido a maioria dos clientes da minha empresa. Nesse momento resolvi que era a hora de procurar ajuda. Quando bebia não tinha limites, o resultado são três filhas, cada uma de um relacionamento diferente. Hoje estou a quase três anos no AA sem ingerir uma gota de álcool e retomei o curso de minha vida", conta C.
Para o psiquiatra André Malbergier, coordenador do Grupo de Álcool e Drogas (GREA) do departamento de Psiquiatria e Faculdade de Medicina da Universidade São Paulo (USP), o alcoolismo não tem cura. A desintoxicação é um mito. Poucas horas depois da ingestão não existe mais álcool no corpo. O importante é não voltar a beber. "Com o tratamento, muitas pessoas conseguem ficar sem consumir álcool ou consumir controladamente, o que é mais difícil. Os principais sinais do alcoolismo é a valorização do consumo, freqüência, o uso em grande quantidade e frustradas tentativas de largar o vício, mesmo quando isso causa malestar", explica. "O consumo excessivo de álcool causa demência e convulsões (cérebro), miocardiopatia, cirrose, gastrite, úlcera, delírios e alucinações."
DESCUBRA SE O ÁLCOOL É SÓ DIVERSÃO PRA VOCÊ
1) Já tentou parar de beber por uma semana (ou mais), sem conseguir atingir seu objetivo?
Sim ( )Não ( )
2) Ressente-se com os conselhos dos outros que tentam fazê-lo parar de beber?
Sim ( )Não ( )
3) Alguma vez, procurou controlar sua tendência de beber demais, trocando uma bebida alcoólica por outra?
Sim ( )Não ( )
4) Tomou algum trago pela manhã nos últimos doze meses?
Sim ( )Não ( )
5) Inveja as pessoas que podem criar problemas?
Sim ( )Não ( )
6) Seu problema de bebida vem se tornando cada vez mais sério nos últimos doze meses?
Sim ( )Não ( )
7) A bebida já criou problema no seu lar?
Sim ( )Não ( )
8) Nas reuniões sociais, onde as bebidas são limitadas, você tenta conseguir doses extras?
Sim ( )Não ( )
9) Apesar de prova em contrário, você continua afirmando que bebe quando quer e pára quando quer?
Sim ( )Não ( )
10) Faltou ao serviço durante os últimos doze meses, por causa da bebida?
Sim ( )Não ( )
QUATRO RESPOSTAS "SIM" INDICAM QUE A PESSOA TEM TENDÊNCIA AO ALCOOLISMO.






15 abril 2013

Entenda como o álcool afeta seu corpo

Entenda como o álcool afeta seu corpo
O psiquiatra Arthur Guerra, professor da Faculdade de Medicina do ABC, explica que os danos fisiológicos causados por uma intoxicação aguda pelo álcool são reversíveis, mas a lentidão e a perda de consciência podem causar graves acidentes, esses sim com complicações permanentes. Confira a seguir como o álcool age no seu corpo e como afeta sua saúde:  


Estágio 1: enquanto você ainda está sóbrio

A psicobióloga Maria Lúcia Formigoni, chefe do departamento de Psicobiologia da Unifesp, explica que as moléculas de álcool são pequenas e solúveis. Isso significa que elas chegam muito rapidamente a todos os nossos tecidos, principalmente ao fígado, órgão responsável por 90% da metabolização do álcool, que é então transformado em acetaldeído. Essa substância é a responsável pelos efeitos danosos associados ao consumo de álcool. E, mesmo enquanto você está sóbrio, ela já está se acumulando no seu organismo e deteriorando sua saúde. "Os sintomas da ressaca, como as dores de cabeça, a pressão arterial elevada e a taquicardia, são causados pelo excesso dessa substância no organismo", explica a especialista.

Estágio 2: Euforia

À medida que você continua a beber, a quantidade de acetaldeído presente no seu corpo continua a se acumular. Em consequência, a dopamina - um neurotransmissor relacionado à sensação de bem-estar - atinge níveis cada vez mais altos. "A dopamina age na via cerebral da recompensa e promove a sensação de euforia, felicidade, característica do consumo excessivo do álcool", explica Maria Lúcia Formigoni. No entanto, a especialista explica que essa sensação é relativa e que nem todas as pessoas experimentam as mesmas sensações.

Estágio 3: Instabilidade emocional e depressão do Sistema Nervoso Central

Se você continuar bebendo, a sensação de euforia logo dará lugar a outra emoção. "Começa a ser sentido o efeito de outro neurotransmissor, responsável por estimular o sistema GABA (ácido gama-aminobutírico), principal inibitório do Sistema Nervoso Central", explica Maria Lúcia. Ocorre então uma competição entre a dopamina e o sistema Gama, que acaba ganhando a disputa e deprimindo as atividades cerebrais. Em consequência, a ansiedade é diminuída e a sensação de sono aumenta.

O grande problema está na desestabilização do sistema cerebral. "O funcionamento cerebral anormal resultará em alterações do comportamento, afinal, o controle do sistema racional não está eficiente", conta a psicobióloga.

Estágio 4: Prejuízo do julgamento e da crítica

A perda da racionalidade acaba por comprometer a capacidade de julgamento. "O tempo de resposta aos estímulos físicos, visuais e auditivos aumenta muito, todos os reflexos e pensamentos estão alterados", conta Maria Lúcia. Além de aumentar o risco para acidentes, um dos maiores perigos decorrentes do consumo abusivo de bebidas alcoólicas, o indivíduo também se coloca em risco ao fazer escolhas que não faria se estivesse sóbrio. Incluem-se nessa lista: colocar-se em situações vexatórias, correr riscos e consumir bebidas alheias e até mesmo drogas ilícitas.

Estágio 5: Sonolência e adormecimento

 O psiquiatra Arthur Guerra explica que se um familiar, amigo ou conhecido bebeu demais e acabou pegando no sono, o ideal é mesmo deixá-lo descansar, sempre sob observação. Nesse momento, um cuidado é essencial: certifique-se de que a pessoa intoxicada durma de lado, evitando a aspiração do próprio vômito, que pode ir até as vias aéreas, dificultando ou impedindo a respiração. O especialista conta que levar a pessoa embriagada ao hospital ou pronto-atendimento é a melhor opção caso o cuidador fique inseguro, mas que a glicose, frequentemente administrada nesses casos, só ajuda a resolver o problema quando há uma hipoglicemia associada. "A glicose não ajudará a diminuir a intoxicação por álcool, o único remédio nesse caso, é repouso e hidratação do corpo - seja com água, água de coco, refrigerantes ou até café".

Estágio 6: Inércia generalizada

Nesse estágio, o indivíduo já não consegue atender aos comandos e as respostas aos estímulos externos estão comprometidas. Andar é praticamente impossível e pode haver até incontinência urinária e fecal. Os riscos de coma alcoólico são altos nessa fase. "O ideal é procurar ajuda profissional em um hospital, já que a saúde está correndo perigo e ser mantido sob observação é muito importante", recomenda Arthur Guerra.



Estágio 7: Coma alcoólico

O coma alcoólico acontece em resposta à depressão do Sistema Nervoso Central, que é cada vez maior à medida que se consome a bebida alcoólica. "O cérebro - responsável por mandar estímulos às estruturas responsáveis pela respiração, como pulmão e diafragma, principalmente -, deprimido pela bebida alcoólica, pode deixar de enviar esses impulsos, levando à parada respiratória", explica o psiquiatra Arthur Guerra. Os danos desse extremismo, em alguns casos, podem ser irreversíveis, levando a pessoa à morte.







14 abril 2013

Consumo de álcool cresce entre os brasileiros com menos renda

fonte : Estadão.com 14/04/2013


Entre os mais pobres, 71% abusam do álcool

Consumo cresce mais entre os brasileiros com menos renda, mostra estudo da Unifesp


O Estado de S.Paulo
Sete entre cada dez brasileiros que ganham menos de R$ 1 mil por mês bebem de forma abusiva. O consumo, que já era bastante expressivo, aumentou muito nessa parcela da população nos últimos seis anos, segundo o Levantamento Nacional de Álcool, feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
“O fenômeno neutraliza benefícios da melhoria de renda e ajuda a perpetuar o ciclo de baixa qualidade de vida”, avalia o coordenador do trabalho, Ronaldo Laranjeira, da Unifesp.
O levantamento mostra que, quanto menor a renda, maior o consumo excessivo de álcool. Na classe E, 71% bebem de forma exagerada; na C o índice é de 60%, na B de 56% e na A de 45%. A lógica se repete quando se analisa o crescimento do consumo excessivo entre os diferentes grupos sociais. Quanto menor a renda, maior o aumento no período avaliado, de 20006 a 2012.
O estudo foi feito com base em dados de 4.607 pessoas com mais de 14 anos, coletados em 149 municípios.
Para homens, é considerado beber de forma abusiva o consumo de ao menos cinco doses de bebida em um período de duas horas. Entre mulheres, a relação é de quatro doses em duas horas. Uma dose equivale a uma lata de cerveja, uma taça de vinho ou uma dose de pinga.
Segundo Renato Meirelles, sócio-diretor do Instituto Data Popular, especializado em pesquisas de consumo nas classes C e D, a melhora do padrão de vida promove a diversificação de compras de produtos industrializados. E, assim, o álcool vem ganhando espaço. O Data Popular observou dois movimentos que evidenciam a melhoria da renda, que se destacam no Nordeste: “Quem começa a ganhar mais dinheiro na classe C passa a comprar destilados como uísque e vodka, enquanto as classes D e E mudam da pinga para a cerveja”.
Meirelles relata as razões para o consumo ter se modificado. “Antes, a bebida era vinculada ao ‘esquecer da vida’; o consumo de álcool principalmente nas classes C e D era atrelado a uma espécie de fuga. O que a gente começa a encontrar hoje é o álcool associado aos momentos de lazer, entretenimento e celebração.”
Saúde pública. Para Laranjeira, o fenômeno trará problemas a curto e médio prazo. “Não tenho dúvida de que, dentro de alguns anos, esse aumento poderá ser visto nas contas públicas.” Ele observa que as classes menos privilegiadas dependem essencialmente de serviços públicos de saúde. “O consumo excessivo de bebidas alcoólicas aumenta o risco de câncer e outras doenças. Isso acabará no SUS.”
L., de 61 anos, é um exemplo de quem teve de recorrer à rede pública. Em tratamento há dois anos e meio, ele conta que passou a beber quando era adolescente, mas foi aos 50 anos que percebeu que a situação estava fora de controle. “Começava às 8 horas e continuava ao longo do dia.”
L. faz artesanato em madeira com a mulher, mas a renda dos dois não chega a dois salários mínimos. “A falta de perspectivas financeiras piora a situação. Problemas com dinheiro me estimulam a beber”, diz.
Para o médico Vilmar Ezequiel dos Santos, gerente do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de Santana, é preciso compreender o consumo do álcool em cada uma das classes sociais. “A forma de consumir, o valor que se dá ao consumo e o desfecho do problema em cada uma das camadas da sociedade são diversos.” Embora tenha havido mudanças, Santos destaca que nas classes D e E o álcool é socialmente mais aceitável.
De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil tem 329 Caps, com capacidade para realizar 7,8 milhões de atendimentos ao ano. De 2011 para 2012, os procedimentos aumentaram 25,8%.
Laranjeira diz que os resultados do estudo evidenciam o quanto as pessoas mais pobres sofrem com a ausência de uma estratégia efetiva do governo para a prevenção do abuso de álcool. “Essa política é acovardada”, constata. “A única mensagem que ouvimos é a de não associar direção e bebida. Todos, incluindo o Ministério da Saúde, ficam cheios de dedos para colocar em prática ações mais agressivas.” 



13 abril 2013

Carteiro demitido por alcoolismo deverá ser readmitido

fonte : Bonde com TST

Carteiro demitido por alcoolismo deverá ser readmitido
Decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (MG) que determinou aos Correios a reintegração ao emprego de um carteiro dependente químico e alcoólatra foi mantida após a Sétima Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST), por maioria de votos, não conhecer de recurso da empresa. O acórdão do TRT-3 determinou, ainda, o imediato restabelecimento do plano de saúde, o pagamento dos salários vencidos, vincendos e demais vantagens legais do período de afastamento. 

A decisão do tribunal regional também admitiu a possibilidade de se promover o afastamento do trabalhador para tratamento de saúde. 

O relator do processo na Turma, ministro Pedro Paulo Manus, mesmo entendendo que o trabalhador dependente químico deve ser encaminhado para tratamento e receber da empresa o apoio necessário para se recuperar, votou pelo provimento do recurso dos Correios. Ele considerou que não havia como atribuir ao empregador uma responsabilidade ilimitada. "No caso, ficou claro que a reclamada foi bastante diligente em relação ao reclamante e buscou fazer tudo o que estava ao seu alcance para ajudá-lo, o que, infelizmente, não surtiu efeito", assinalou. 

A divergência foi aberta pela ministra Delaide Miranda Arantes, que considerou a dispensa inválida, por ter contrariado a Orientação Jurisprudencial 247 da SDI-1, que condiciona a validade da dispensa de empregado pelos Correios à existência de motivação. Segundo o ministro Vieira de Mello Filho, que acompanhou o voto divergente, os Correios é que motivaram a dispensa. 

Ele entendeu que a empresa, mesmo reconhecendo a condição de dependente químico e alcoólatra e tendo tomado diversas medidas terapêuticas para a reversão do quadro, ao não obter sucesso e munida de avaliações de desempenho - nas quais o trabalhador, em função da doença, teve sua conduta considerada como imprópria -, optou pela dispensa alegando desempenho inadequado aos objetivos empresariais. 

"Não estamos discutindo necessariamente a motivação, porque motivação houve. Nós estamos discutindo se essa motivação, na sua extensão, é legal ou ilegal, para efeito de justificar a dispensa do empregado", afirmou. 

De acordo com o ministro, embora o trabalhador tenha recebido diversas advertências e suspensões, o que em outras circunstâncias poderia motivar uma dispensa, o caso analisado no processo é diferente, por haver, comprovadamente, dependência química e alcoolismo, reconhecidos como doenças pela Organização Mundial de Saúde (OMS). 

Em sua visão, o caminho correto seria o do afastamento por invalidez, para que o trabalhador pudesse receber benefício pelo INSS enquanto se tratasse. "A empresa não está fadada a ficar com o empregado, ela tem outros meios. Comprovado, por meio de perícia do INSS, que ele tem incapacidade, há a suspensão do contrato com o seu afastamento", frisou. 

Alcoolismo 

De acordo com os autos, o carteiro foi admitido nos Correios em março de 1998 e a partir de 2006 passou a ter diversos afastamentos do trabalho, advertências e suspensões em decorrência do alcoolismo. 

Ele relata que nos anos de trabalho em que esteve sob o efeito do álcool houve diversas tentativas de tratamento e recaídas características da enfermidade. Após o último afastamento encontrava-se sob acompanhamento do setor de serviço social dos Correios, mas que foi aconselhado por seu chefe a dispensar o monitoramento, pois já estaria recuperado. Dias depois de pedir alta, foi surpreendido com a dispensa. 

Segundo a empresa, a demissão ocorreu em decorrência do baixo desempenho, pois os resultados obtidos quanto à assiduidade e pontualidade foram aquém do esperado e não atingiram o limite tolerável em suas avaliações em 2008 e no primeiro semestre de 2009. Segundo a justificativa, os resultados não atenderiam ao previsto em seu plano de trabalho, não estariam alinhados para a sua área de atuação e incompatíveis com as necessidades da empresa. 

O juiz da 13ª Vara Trabalhista de Belo Horizonte entendeu que o grande número de faltas injustificadas caracterizou motivação administrativa para a ruptura do contrato de trabalho. Segundo ele, embora o trabalhador tenha sido demitido sem justa causa, o processo foi realizado em consonância com a OJ 247 (item II) da SDI-I. 

Em acórdão, o TRT-3 destacou que o alcoolismo, doença reconhecida formalmente peia Organização Mundial de Saúde (OMS), é uma enfermidade progressiva e incurável, que consta do Código Internacional de Doenças. O tribunal salientou que a jurisprudência majoritária posiciona-se contra a dispensa de trabalhadores em condição de dependência química. 

"Ao revés, o empregado alcoólatra deve ser encaminhado para o tratamento medico pertinente, pois sendo portador de uma patologia de fundo psiquiátrico não age com, dolo ou, culpa, de tal forma que sua doença ou mesmo as suas consequências para o trabalho (como as faltas, por exemplo) não pode ser utilizada como motivo ou motivação para a sua dispensa", diz o acórdão.

ALCOOLISMO É DOENÇA RECONHECIDA PELA OMS



12 abril 2013

Uso abusivo de álcool é fator de grande risco para o câncer

fonte : R7 notícias - saúde


“Uso abusivo de álcool é fator de risco para o câncer e outras doenças”, alerta especialista

Aumento do poder aquisitivo é uma das explicações para o crescimento do consumo 
É consenso entre os especialistas que o consumo exagerado do álcool é extremamente prejudicial à saúde e pode, além de causar dependência, desencadear diversos tipos de câncer, arritmia cardíaca, hipertensão, depressão e gravidez indesejada.
O psiquiatra Ronaldo Laranjeira, professor titular da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e coordenador do Instituto Nacional de Políticas de Álcool e Drogas, chama a atenção para a necessidade de desestimular o consumo do álcool.
— É fato que o álcool faz mal ao organismo e, em um futuro próximo, isso pode se tornar um problema de saúde pública como já acontece com o tabaco.
Segundo o médico, nas últimas décadas homens e mulheres alcançaram um nível semelhante de mortalidade por cigarro. Embora elas tenham começado a fumar anos depois dos homens, hoje “a mortalidade por câncer de pulmão nos dois sexos é igual”.
— Como o consumo de álcool está em ascensão em ambos os sexos, essa tendência pode se repetir.
Laranjeira acrescenta que a Lei Seca — que proíbe o consumo de álcool para o motorista — contribuiu para a diminuição no comportamento do brasileiro de beber e dirigir mas, segundo ele, é preciso muito mais do que isso.
— Não há políticas públicas em relação ao álcool. É imprescindível desestimular o consumo adotando algumas ações, como aumento do preço das bebidas, proibição de propagandas e restrição no horário de venda.
De acordo com o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad) realizado pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), o uso nocivo do álcool entre as mulheres, ou seja, quando ela consome quatro doses de bebida em um período de duas horas cresceu 36% entre 2006 e 2012. No grupo masculino, o crescimento foi menor, de 29,4%.
Para Clarice Madruga, uma das autoras do estudo, essa mudança de comportamento pode ser explicada pelo “ingresso do público feminino no mercado de trabalho, aumento do poder aquisitivo e participação das mulheres em mais eventos sociais”.
— Observamos que houve um aumento tanto na quantidade quanto na frequência com que as mulheres bebem e isso é preocupante.
A OMS (Organização Mundial da Saúde) estabelece como consumo aceitável duas doses diárias de bebida alcoólica para homens — o equivalente a duas latas de cerveja — e metade (uma dose) para as mulheres.