31 julho 2013

Alcoolismo feminino - Vídeo

Crédito : Sr. Amandio Teixeira

Vídeo sobre o alcoolismo feminino, tratando do tema com ênfase nas jovens que bebem pesado ou que já se tornaram alcoólatras. Fotos de cenas de alcoolismo e seu efeito sobre as mulheres.










25 julho 2013

Paul Gascoigne e sua luta contra o alcoolismo

fonte UOL esporte

Após deixar hospital, Gascoigne diz a amigos que vai vencer alcoolismo

13/07/2013


Após quatro dias internado em um hospital de Londres, o ex-jogador Paulo Gascoigne foi liberado na última sexta-feira. Segundo o tablóide inglês The Sun, o ex-atacante, disse a amigos que irá vencer a luta contra o alcoolismo.

“Eu estive sóbrio nos últimos quatro dias. Vou lutar contra isso. E vou vencer”, teria afirmado o ex-atacante.
Gascoigne trava batalha contra o alcoolismo. O ex-jogador foi fotografado caído no chão do Hotel Royal National, em Londres, na Inglaterra. A imagem foi publicada no tabloide britânico The Sun. A reportagem informou que o ex-atleta da seleção inglesa estava alcoolizado no chão, sem as muletas, e pedindo bebida enquanto aguardava atendimento médico..
                              Paul Gascoigne é fotografado bêbado e caído no chão de hotel em Londres

O ex-meia da seleção inglesa portava duas garrafas de gim em seus bolsos, uma delas vazia. Gascoigne chegou a ser internado em uma clínica nos Estados Unidos no começo de 2013 para tentar reabilitação do alcoolismo. Foi submetido a medicações pesadas e foi amarrado à cama no processo de desintoxicação.

No último incidente no hotel londrino, a polícia foi chamada até o local e uma ambulância levou Paul Gascoigne até um hospital. De acordo com uma das testemunhas, “ele não estava consciente, usava a mesma roupa que foi flagrado no fim de semana e tinha centenas de libras caindo de seus bolsos”.

Gascoigne viu o álcool potencializar sua já polêmica vida dentro e fora de campo. No início de fevereiro ele foi flagrado tremendo, chorando e falando palavras incoerentes no meio de um evento de caridade que contou com a presença de mais de 500 convidados na cidade de Northampton, no centro da Inglaterra.

Ídolo da torcida do Newcastle, do Tottenham, da Lazio e do Glasgow Rangers, 'Gazza', hoje com 46 anos, foi um dos jogadores mais talentosos da história do futebol britânica, levando a seleção inglesa às semifinais da Copa do Mundo de 1990.



24 julho 2013

Alcoolismo e o impacto sobre os filhos


Alcoolismo e seu impacto sobre seus filhos

O alcoolismo é um problema muito sério que afeta não apenas o alcoólatra, mas também aqueles em torno dele ou dela. As pessoas mais afetadas são os filhos de alcoólatras que nasceram enquanto seus pais eram alcoólatras e mesmo aqueles que eram adultos e tinham de lidar com ele.
Antes de uma criança ter nascido, o alcoolismo de um pai pode ter efeitos mortais sobre ele. Um feto de uma mãe alcoólica vai começar a ter problemas. Os bebês podem nascer com síndrome alcoólica fetal, que é uma das três principais causas de defeitos de nascença em bebês. Quanto mais a mãe bebe durante a gravidez, o pior serão os efeitos, com deformidades do cérebro, crânio, olhos, ou mesmo membros. Estas crianças têm dificuldade de desenvolvimento, aprendizagem, memória e habilidades até mesmo social. Eles normalmente são hiperativas e mal coordenados com a fala e audição.
Crianças que são normais também têm problemas se seus pais são alcoólatras. Estas crianças podem ter baixa auto-estima, sentimento de solidão ou culpa, pode sentir-se impotente, pode ter medo de ser abandonado, ou podem sofrer de depressão. Eles podem sentir que eles são a razão de seus pais sendo um estressado alcoólicas e tornar-se por causa disto. Eles costumam ter pesadelos, e pode ter problemas em fazer amigos e fazer bem na escola. As crianças mais velhas podem apresentar sinais de depressão como transtorno obsessivo-compulsivo, ficar sozinho, ou ser auto-consciente.
Estas crianças também terão problemas na escola. Eles terão problemas se expressar e também pode ter problemas em fazer amigos ou a construção de vínculos com os professores. Eles são mais propensos a abandonar a escola. Eles podem ser mentirosos compulsivos, cheaters, lutadores, ladrões ou até mesmo ir à escola, às vezes. Sentem-se culpados em deixar sua bebida pai e vai tentar encontrar maneiras de fazer seus pais desistir de álcool por esconder o álcool a partir de seus pais, ou fazendo bem na escola ou no trabalho para convencer seus pais a desistir.
Também é comum encontrar filhos de alcoólatras sendo espancado ou abusado porque os alcoólatras têm mais probabilidade de bater ou abusar de seus filhos. Por causa do trauma, essas crianças suportar em tenra idade, são susceptíveis de se tornarem alcoólatras ou viciados em drogas em um ponto mais tarde em suas próprias vidas. Eles também muitas vezes não conte a ninguém do trauma que estão passando em casa, pois eles sentem que podem ajudar os seus próprios pais.
Estas crianças crescem em tornar-se pais que têm problemas com os pais e são ruins nisso. Eles permanecem deprimidos e têm problemas de ter relações. Eles podem ficar viciados em substâncias além do álcool também.
Essas crianças também têm taxas mais altas de transtornos alimentares, pois muitas vezes tentar controlar cada aspecto de sua vida, já que eles não podem controlar os seus pais. Seus sentimentos de baixa auto-estima e culpa, muitas vezes empurrá-los para as tendências bulímica e anoréxica.
Filhos de alcoólatras têm muitas cicatrizes emocionais que podem danificar a vida inteira se não forem tratadas através de sessões de aconselhamento, onde elas são feitas para falar sobre suas experiências.


22 julho 2013

Pesquisa mostra alterações cerebrais durante abstinência do álcool

fonte : Veja

Alcoolismo

Pesquisa brasileira mostra alterações cerebrais durante abstinência do álcool

Estudo da Unifesp aponta aumento no número de receptores canabinoides no cérebro durante crises de abstinência, o que pode ajudar no desenvolvimento de novos tratamentos e terapias


Durante uma crise de abstinência, um alcoólatra pode passar por diversas alterações de humor, se sentindo agitado, ansioso, deprimido ou irritado. Ele também pode passar por náuseas, tremedeiras, hipertensão e até convulsões e delírios. Isso tudo pode ter relação com uma alteração no sistema canabinoide em seu cérebro



Uma das maiores dificuldades enfrentadas pelos alcoólatras quando tentam se livrar do vício são as crises de abstinência. Após anos consumindo a substância regularmente, o corpo reage ao corte repentino da bebida com uma série de sintomas como ansiedade, irritabilidade, tremores, náuseas e, em casos mais extremos, convulsões e delírios. Pesquisadores do Laboratório de Neurobiologia da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) descobriram que, durante essas crises, algumas regiões cerebrais diretamente envolvidas com a dependência sofrem alterações importantes, com um aumento na produção de receptores canabinoides.
O cérebro humano produz uma série de substâncias conhecidas como endocanabinoides, que possuem estrutura semelhante ao tetrahidrocanabinol (THC) — componente responsável pelos principais efeitos da maconha. Essas substâncias possuem várias funções corporais, entre elas a regulação de neurotransmissores como a serotonina e a dopamina, relacionados a transtornos psiquiátricos, ao sistema de recompensa do cérebro e à dependência.
No estudo, a intenção dos pesquisadores da Unifesp foi analisar a quantidade de receptores a esses endocanabinoides que poderia ser encontrada no cérebro de camundongos em meio a crises de abstinência. Para isso, eles forneceram aos animais doses diárias de álcool, e separaram aqueles que pareciam mais sensíveis aos efeitos da droga daqueles que se mostraram resistentes.
Após 21 dias, eles cortaram a administração do álcool. Ao analisar o cérebro dos animais, eles descobriram que a ausência súbita da substância produzia, apenas nos ratos mais sensíveis, um aumento na quantidade de receptores canabinoides em regiões responsáveis pela aprendizagem, memória, emoções, motivação, tomada de decisão e estresse. “Além disso, uma nova dose de álcool reverteu totalmente os efeitos da abstinência sobre estes receptores”, afirma Cassia Coelhoso, pesquisadora da Unifesp e uma das responsáveis pelo estudo.
Tratamento contra alcoolismo — Segundo os pesquisadores, ainda não é possível saber por que o número de receptores canabinoides aumenta nesses animais. “Não sabemos se esse aumento causa os sintomas de abstinência ou se ele acontece justamente para diminuir esses efeitos. Precisaremos de mais pesquisas para saber se ele é um desencadeador da crise ou um protetor do sistema nervoso”, afirma Renato Filev, pesquisador da Unifesp e coautor do estudo.
Para o cientista, o que a pesquisa mostra claramente é uma relação entre os receptores canabinoides e o alcoolismo. Isso pode levar, no futuro, ao desenvolvimento de melhores tratamentos para a dependência da substância. “O sistema endocanabinoide pode ser um importante alvo terapêutico para o alcoolismo, principalmente durante a fase de abstinência, caracterizada por altas taxas de recaídas. No futuro, podemos encontrar algum tipo de molécula que possa manipular esse sistema. O problema é que ainda não sabemos se procuramos por algo que o ative ou desative”, afirma o pesquisador. 



20 julho 2013

Alcoolismo é mais prejudicial as mulheres do que nos homens


Alcoolismo é mais danoso nas mulheres do que nos homens


Veja como a bebida atinge o sexo feminino

Mulheres são mais suscetíveis a sofrerem o efeito do álcool do que os homens. O metabolismo do álcool nas mulheres não é igual ao do sexo feminino. Isso acontece por causa da maior proporção de tecido gorduroso no corpo delas e também por variações na absorção de álcool no decorrer do ciclo menstrual. Veja o que o exagero do álcool pode fazer no organismo feminino: 

Fígado – As mulheres correm mais risco de desenvolver doenças hepáticas do que os homens. Elas têm três vezes mais chances de desenvolver cirrose. 

Doenças cardiovasculares – Mulheres que abusam do álcool pode desenvolver miocardiopatias, doenças no músculo do coração. 

Câncer de mama – Mulheres que tomam de 2 a 5 drinques por dia tem 40% de chances de desenvolver câncer de mama. 

Feto – A ingestão de álcool durante a gravidez pode provocar distúrbios fetais como retardo de desenvolvimento. 

Osteoporose – O álcool aumenta o risco de fratura de colo de fêmur e de antebraço. 

Por Carolina Abranches

16 julho 2013

Alcoólicos Anônimos pode ser uma saída - Vídeo



Excelente matéria sobre alcoolismo exibida na Rede Gazeta de Comunicação, no Programa "Gazeta Comunidade" do dia 28/04/2012. Aborda com muita propriedade a doença do alcoolismo e informa a sociedade que há solução e que Alcoólicos Anônimos é uma delas.






Alcoolismo uma doença avassaladora - Vídeo

Dedicado para todos aqueles que acham que o álcool não causa dependência física e psíquica.






Polêmico : Alcoolismo é uma forma de religião, dizem psicanalistas


fonte : Folha de São Paulo 

Alcoolismo é uma forma de religião, dizem psicanalistas


O que define o alcoólatra não é a dependência química, afirmam os psicanalistas Antônio Alves Xavier e Emir Tomazelli, autores de "Idealcoolismo".
Baseados em dez anos de pesquisa com mais de 5.000 pessoas em tratamento para alcoolismo, os autores chegaram à conclusão de que o alcoólatra é, antes de tudo, um fanático de uma religião individual e autocentrada.
Em entrevista à Folha, os dois explicam sua teoria e o tratamento para alcoolismo que criaram a partir dela.

Folha - Por que os srs. comparam o alcoólatra a um fanático religioso?
Antonio Alves Xavier - Porque ele transforma a bebida em uma substância divina. Ao beber o 'deus álcool', comunga com essa substância e acredita que vira deus, não tem que enfrentar as limitações e frustrações de ser humano. Vira todo-poderoso e se entrega a esse ídolo que o faz se sentir onipotente.
No livro, isso é definido como uma forma de religião degradada. O que significa?
Xavier - Não há uma distância entre o crente e seu deus. Quando alguém toma a si próprio ou a alguma coisa existente no mundo como deus, cria uma religião degradada: a pessoa adora falsos ídolos, que, no caso do alcoólatra, é a bebida. Então acaba sendo uma idolatria.
A medicina trata como dependência química...
Xavier - A forma segundo a qual vem sendo tratada a questão do álcool e das drogas tem sido muito útil, mas é uma maneira sobretudo biologicista e medicinal de abordar o problema. Aprendemos muito com a medicina e as pesquisas farmacológicas, mas a nossa proposta é entender o papel da cultura e do psiquismo na construção do vício.
Emir Tomazelli - Não adianta, para o tratamento, pensar apenas que o corpo se vicia num sistema químico. O que interessa, para nós, é o que a pessoa faz, do ponto de vista psíquico, com a substância química que ingeriu.
O que o alcoólatra faz?
Tomazelli - Deixa de ser humano, de se responsabilizar pelo que faz com sua vida -a culpa é do álcool, não dele. E acaba perdendo sua parte ética, porque fica submerso em sua individualidade, sem considerar o outro.
Xavier - Ele é um indivíduo extremamente narcisista, não entra em contato e, vamos falar português claro, é um chato. Mas nós gostamos muito de trabalhar com alcoólatras, porque encontramos uma técnica de tratamento fundamental para a doença.
Qual é essa técnica?
Xavier - Chamamos de choque de humanidade. Tentamos dar referências concretas para ele perceber que é humano, limitado, frágil.
Tomazelli - Nós queremos que ele tenha culpa, mas não aquela autocomiseração narcisista de quem acha que não precisa se tratar. É uma culpa responsável. Ele precisa sentir tristeza, isso torna as pessoas mais humanas.
Não há risco de ele entrar em depressão?
Tomazelli - É uma tarefa difícil, mas não estamos falando de uma tristeza insuportável. É fazer a pessoa entrar em contato com pequenas doses diárias da realidade, na qual a alegria é constituída por um pouco de tristeza, ao contrário da euforia produzida pela bebida ou outras drogas.
Xavier - O álcool é uma droga potentemente depressiva. No primeiro momento, é estimulante, causa euforia. A excitação é usada pelo alcoólatra como calmante. Ele não precisa enfrentar suas angústias. O alívio vindo pelo excesso de estímulo faz o sujeito pirar, leva à autopunição e à depressão.
A família é fundamental no tratamento?
Tomazelli - Pode ajudar, mas nossa técnica é uma grande chance de o sujeito tomar sua loucura em suas próprias mãos.
Xavier - Em muitos casos, o alcoólatra é o para-raios da família. Todas as angústias individuais estão projetadas nele. Na hora em que ele vai sarando, os familiares são obrigados a lidar com suas próprias angústias. Por isso, não é incomum a família sabotar o tratamento.
E qual o papel da sociedade?
Xavier - A sociedade que instiga o alcoolismo é a mesma que o reprime. O prestígio que dá às bebidas é uma forma de idolatria. Se prestarmos atenção, prateleiras de bar, muitas com estátuas de santos no meio, são parecidas com um altar.


15 julho 2013

Essa é a história de muitos alcoólatras - Filme "28 dias" Trailer


Gwen Cummings é uma jornalista a qual gosta muito de beber e divertir-se em companhia de seu noivo Jasper e seus numerosos amigos. o problema é que ela não sabe impôr limites a seu próprio comportamento. Após arruinar o casamento de sua irmã Lily com suas palhaçadas enquanto está bêbada. Ela bate a limusine quando está em seu telefone celular tentando encontrar um bolo para substituir o que ela destruiu. Ela é dada uma escolha entre prisão ou 28 dias em um centro de reabilitação. Ela escolhe a reabilitação. No entanto, ela é extremamente resistente a tomar parte em qualquer dos programas de tratamento que eles têm para oferecer, recusando-se a admitir que ela é alcoólatra.
Depois de conhecer alguns dos outros pacientes, Gwen começa gradualmente a reexaminar sua vida e ver que ela, de fato, tem um problema sério. Seu desejo sincero para ficar bem complica seu relacionamento com o de longa data, bom vivente namorado Jasper. Ela faz amizade com Andrea, uma jovem de 17 anos se recuperando do seu vício em heroína que ocasionalmente prejudica a si mesma. Todos os outros pacientes tentam ajuda-lá a ver-se sob uma luz diferente, enquanto ela tenta ser sóbria e chegar a um acordo com seu alcoolismo. O caminho para a recuperação não será fácil e o sucesso não será garantido ou até mesmo provável, mas ela agora está disposta a dar-lhe uma tentativa.



Conheço bem essa história por isso , 
NUNCA DESISTA você pode, você deve, você consegue ! 

14 julho 2013

Jovem diz que experimentou bebida alcoólica aos 11 anos - Vídeo


Jovem de 24 anos experimentou bebida aos 11 anos


Em depoimento, paulistano fala sobre as consequências do consumo precoce e detalha como seu primeiro contato com bebidas alcoólicas e sua recuperação do vício


12 julho 2013

Álcool pode ser pior que outras drogas ?

fonte : Exame.com


Álcool pode ser pior que crack e heroína?

Livro britânico propõe 16 critérios para analisar os malefícios de 20 drogas legais e ilegais – e o resultado é surpreendente


São Paulo – Será que o álcool pode ser mais prejudicial que a heroína ou o crack ? Essa é uma das perguntas propostas pelo livro Drugs Without the Hot Air: Minimizing the Harms of Legal and Illegal Drugs (Drogas sem enrolação: minimizando os prejuízos das drogas legais e ilegais; tradução livre), do pesquisador e ex-consultor do Reino Unido sobre o abuso de drogas, David Nutt. 
O livro explora diversos fatores envolvidos no uso de drogas – e aplica 16 critérios para analisar 20 substâncias legais e ilegais a fim de observar qual pode causar mais prejuízos. Entre os critérios, há mortalidade, dependência, perda de relacionamentos, custo econômico, custo para a comunidade, crimes e ferimentos, entre outros. A observação permite ver que a legalidade não se equipara a quantidade de prejuízo causada pela droga, segundo Nutt. 
Pelo critério do pesquisador, no Reino Unido, o álcool aparece à frente das outras 19 drogas, seguido por heroína, crack, metanfetamina, cocaína, tabaco, anfetamina e maconha. O grande prejuízo do álcool deve-se a seu custo econômico. No Reino Unido, os gastos do governo com problemas relacionados a bebida chegam a 13 bilhões de libra por ano, segundo Nutt. 
O estudo não indica que as outras drogas são inofensivas, pelo contrário, mas traça um panorama dos prejuízos. “Eu não encorajo pessoas a usarem drogas, todas são prejudiciais. Há certas coisas que as pessoas deveriam saber sobre as drogas”, disse Nutt em entrevista à Guardian Rádio.
Bebida
“É importante entender que o álcool é uma droga, apesar de haver uma indústria enorme tentado nos persuadir de que não é”, afirmou Nutt. O psiquiatra foi afastado de seu cargo de consultor do governo de defender que o álcool e o tabaco são mais prejudiciais que LSD, ecstasy e maconha.
O maior prejuízo da heroína é o mesmo do crack: crimes. Em ambas, a dependência é bem maior do que no álcool. A droga que obteve a menor pontuação pela soma dos pontos foi o cogumelo, que apresentou um único prejuízo para o usuário: o comprometimento do funcionamento mental. 
Para Nutt, é necessário tentar reduzir os prejuízos do álcool. “Sabemos porque o álcool tem essa posição, ele é mais disponível, está nos supermercados e o preço foi reduzido”, disse o pesquisador. O autor do livro dedicou sua carreira a pesquisar como as drogas afetam o cérebro e como podem ser usadas na medicina. 

10 julho 2013

Reportagem flagra venda de bebidas alcoólicas em rodovias - vídeo

fonte : R7


Reportagem flagra venda de bebidas alcoólicas em rodovias


E os comerciantes se esquivam com a alegação de que os estabelecimentos estão em área urbana e, portanto, dentro da lei. As brechas da legislação revoltam as vítimas do trânsito. Veja.



Provar álcool antes dos 12 aumenta chance de se tornar alcoólatra

fonte R7




Provar álcool antes de 12 anos aumenta risco de abuso

João tinha 11 anos quando experimentou vinho oferecido pelos pais, em 2008. Aos 15, foi a vez do primeiro pileque, causado pelo consumo excessivo de vodca com energético numa festa com amigos. “Agora, quando chego meio bêbado em casa minha mãe sabe que eu bebi, mas finge que não sabe”, diz o jovem de 16 anos, aluno do 2.º ano do ensino médio de um colégio tradicional de São Paulo. Hoje, ele diz que consome frequentemente álcool com os colegas. A primeira experiência do estudante com vinho pode explicar e até justificar o seu hábito de consumo atual. É o que revela uma pesquisa inédita da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) feita com base em entrevistas realizadas com 17 mil adolescentes do ensino médio de 789 escolas públicas e privadas de todo o País.

O estudo, feito pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) da Unifesp, constatou que um simples gole ou experimentação de qualquer bebida alcoólica feita por crianças menores de 12 anos aumenta em 60% as chances delas, quando adolescentes, consumirem álcool abusivamente. “O contato que a criança tem com bebidas na infância pode não gerar apenas um adolescente que ocasionalmente fica de porre. Ela pode acabar adquirindo o padrão abusivo de consumo de álcool”, afirma Zila Sanchez, professora do Departamento de Medicina Preventiva da Unifesp, uma das pesquisadoras responsáveis pelo estudo.

A pesquisa também constatou que, dentre os estudantes que afirmaram ter consumido algum tipo de bebida alcoólica na vida (82% dos entrevistados), 11% experimentaram antes dos 12 anos. Para a nutricionista Camila Leonel, o consumo precoce tem um impacto claro na saúde do jovem. “O álcool causa modificações neuroquímicas, com prejuízos na memória, aprendizado e controle dos impulsos. O sistema nervoso dos menores ainda está em desenvolvimento”, afirma.





05 julho 2013

Você sabe o que é Síndrome do Alcoolismo Fetal ? Vídeo

Você sabe o que é Síndrome do Alcoolismo Fetal? 
A síndrome alcoólica fetal (SAF), caracterizada por microcefalia, dismorfias craniofaciais e retardo mental, foi descrita em 1968 e ratificada em trabalhos científicos de 1973. A SAF decorre do eventual abuso do álcool durante a gravidez, sendo que, pela intensidade das manifestações, as lesões ocorrem, na forma clássica, predominantemente nos primeiros três meses. Nesta edição do programa JP Online Entrevista, Fernando Zamith recebe em nossos estúdios o Dr. Jorge Huberman, pediatra e neonatologia do Hopital Albert Einstein, para falar sobre o assunto. Veja o vídeo e tire suas dúvidas.





Alcoolismo : Beber, cair e ficar - Vídeo

Beber, Cair e Ficar

Um rapaz embriagado estava sentado em um bar na cidade de São Paulo, quando caiu de cabeça e se feriu.



01 julho 2013

Alcoolismo : Tudo o que você preferia ignorar

Frederico Mattos
por 
em 11/01/2013 às 11:33 | Artigos e ensaiosId,Melhor do PdHMente e atitude



Alcoolismo: tudo o que você preferia ignorar


Nota do autor:  No consultório e entre amigos sempre noto um tipo de questionamento velado sobre o alcoolismo, de como começa, como identificar e como tratar. Sempre comentam de um conhecido, pai de amigo ou narram histórias que já ouviram falar. É difícil vê-los se perguntando honestamente sobre sua própria relação com o álcool.
Pensando nisso, resolvi escrever na coluna #ID sobre o assunto – mesmo sem uma pergunta de leitor como ponto de partida – abordando vários aspectos importantes dessa experiência que pode ser a de muitos, mesmo que ignorem ou desconheçam.
Sempre que pensamos num alcoólatra (hoje o termo é “alcoolista”), logo vem à mente a imagem clássica do tiozinho com barba mal-feita cambaleando pela rua com a garrafa de pinga pura, caindo na frente da calçada de casa vomitando, fazendo toda a vizinhança olhar com desprezo e vergonha para aquele vagabundo sem caráter, violento, que faz mal à família.
Nunca pensamos numa loira linda como a personagem da namoradinha de “Alfie, o sedutor ou na delicada personagem de Meg Ryan no filme Quando um homem ama uma mulher. O bêbado é sempre o pai dos outros ou o garotão de balada que sai com o energético e vodka na mão. Ele está sempre bem longe e nunca dentro de casa.


Pelos trajes e perfil de sucesso, seria difícil apontar Don Draper como alcoólatra
A realidade não é bem essa. Não nos é tão nítido ou perceptível quando alguém passou da dose “moderada” e incidiu numa doença silenciosa, socialmente estimulada, que rende bons papos entre amigos e mata muitas pessoas direta e indiretamente – ainda que os dados estatísticos não consigam revelar a extensão e gravidade do assunto.
Todo mundo já ouviu uma história envolvendo álcool que não terminou bem. O problema é que ignoramos o fato de que a história não precisa culminar em morte ou paraplegia para ser uma tragédia.

Como saber que estou passando do ponto de “beber moderadamente”?

Todas as propagandas de bebida alcoólica estimulam os usuários a beber moderadamente. Ocorre que não fica muito claro exatamente qual seria esta medida. Muitos questionam, então, à partir de quando se pode diagnosticar o alcoolismo. Ou continuam bebendo, então, sem fazer a mínima ideia de que passaram do  ponto.
A Organização Mundial da Saúde alerta sobre o que é o razoável.
O consumo não pode superar o equivalente a três copos de chope ou apenas uma dose de uísque por dia. Para quem costuma beber diariamente mais de duas latas de cerveja ou duas doses de destilado, como uísque ou pinga, aqui vai um alerta: o nível de álcool presente nessas quantidades de bebida está acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), podendo causar danos ao organismo. De acordo com os especialistas, as pessoas saudáveis podem consumir, no máximo, 30 gramas de álcool por dia. “
Doses razoáveis. Mais do que isso começa a configurar algum tipo de dependência que pode ter sintomas declarados ou sutis. A questão é que muita gente perde a linha com menos que esse “razoável” e outras aguentam bem mais do que essa dose aconselhada.
Cada organismo reage de um jeito. Eu tenho um critério que uso para avaliar caso a caso, usando os seguintes marcadores.

Frequência

Alguém que toma bebida uma vez ao dia é alcoolista? E aquele que usa apenas uma vez por semana? Em ambos os casos, se ele faz isso com regularidade ininterrupta ao longo de 3 meses, sim.
Por isso, sempre peço para que a pessoa fique de 3 a 5 meses sem colocar uma gota de álcool na boca, para que ela perceba algum tipo de alteração substancial na sua rotina e humor como irritabilidade, descontrole dos impulsos (come, transa ou grita mais), tristezas súbitas e sem razão, mudança do sono (insônia ou sonolência), comportamento acuado ou retraído.
Normalmente a própria pessoa não consegue perceber essas mudanças, o que talvez torne mais efetivo perguntar para aqueles que estão à sua volta.
E, sim, podemos ter os alcoolistas constantes, ocasionais e de fim-de-semana. O que faz entrar na categoria é o fato de, na sua devida frequência, a bebida ser considerada “sagrada”.

Irrecusabilidade

O outro critério é o grau de controle que a pessoa tem sobre as quantidades. Ela se comprometeu a tomar uma dose e toma duas, disse que ia beber dia sim e dia não e toma todos os dias. Ela cria situações sociais com frequência e está sempre bebendo. Acha que aguenta sempre um pouco a mais e já não fica alterada com a mesma quantidade de bebida de antes.
Esses são indicadores sérios, afinal, se uma pessoa vai criando resistência ao álcool é um sinal de avanço da doença. Os adeptos ao álcool adoram dizer que podem beber a vontade que nunca vão cair ou dar vexame. Esses são os mais doentes.
Já notou aqueles mendigos que se alimentam de cachaça pura e nunca comem nada? Pois é, eles tem uma baita resistência. Isso não quer dizer nada, a não ser que estão para além do comprometimento alcoólico.

Seqüelas

Os efeitos do uso constante do álcool é visível em pelo menos 3 campos mais diagnosticáveis.
1. Físico: alteração no organismo e doenças decorrentes do alcoolismo que afetam o  sistema cardíaco, nervoso e gastrointestinal – fígado, pâncreas, estômago e intestino, só para citar os órgãos mais afetados.
2. Social: faltas e atraso no horário de trabalho, diminuição da produtividade pessoal, perdas de compromissos sociais, problemas de relacionamentos conjugais – agressão física, discussões – infrações no trânsito e acidentes caseiros.
3. Psicológica: alteração do sono/sexualidade/alimentação, mudança de comportamento, alterações de temperamento, ansiedade constante, perda de motivação global, distrabilidade (perda de atenção em atividades que exijam concentração), falta de rumo pessoal.

O auto-engano

O grande problema é que a pessoa que transpôs o uso moderado e adentrou a zona do alcoolismo, em geral, não percebe quando isso aconteceu. Ela entende que se consegue manter a família, o trabalho e as contas pagas, está tudo ok. A pergunta é: em que condições isso é mantido? O sujeito que chega em casa e toma o uísque dele sem – na própria cabeça – perturbar ninguém, deveria ser condenado e chamado alcoolista?
Os adeptos do álcool vão dizer que é exagero afirmar que sim. Afinal, “bêbado é quem bate na mulher”.


Homens de família não cometem agressões
O álcool – como qualquer outra substância que altera o funcionamento do corpo e da mente – pode, no começo, causar muito prazer e nenhum desprazer, depois causar algum prazer e pouco desprazer, depois causar raro prazer e muito desprazer.
Nenhum dependente de álcool vai admitir que chegou nesse ponto. E o pior, em geral, ele próprio não está em condições de identificar isso.

Violência e álcool

O álcool é um dos co-responsáveis por grande parte dos crimes, pois em maior ou menor grau, está presente como coadjuvante nas tomadas de decisões criminosas.
Nos crimes passionais está quase sempre atuante como fator desencadeador da ação violenta. Nas vinganças e brigas de bar/balada fazem parte do gatilho impulsivo que transforma um simples desentendimento numa guerra.
Além disso, temos os crimes domésticos contra mulheres e crianças em que vemos o álcool como motivo de discussões e desinibidor de agressividades latentes entre casais, pais e filhos.
Os acidentes de trânsito com ou sem vítimas fatais quase sempre estão associados ao uso do álcool.

Cultura do álcool

O álcool sempre esteve presente em diversas culturas e não é na atualidade que ele celebra a roda de amigos ou a reunião de negócios. Até as tentativas de tornar o álcool ilegal fracassaram. Isso reflete o apelo que ele tem na vida cotidiana.
Vivemos num mundo mais enjaulado emocionalmente. Apesar da aparente liberdade de expressão que existe, a real comunicação, de coração para coração, não acontece tão naturalmente. Isso criou a ideia coletiva de que algum tipo de liberdade especial precisa ser mobilizada para que o sujeito se sinta plenamente feliz. Viagens, praias, amigos, pé na estrada, sexualidade sem tabus, enfim, tudo o que remeta a clichês sobre a sensação de ser dono do próprio nariz e senhor do próprio destino.
As empresas e os publicitários sabem como utilizar essas imagens para vender seus produtos. Associam a liberdade a pacotes turísticos, carros, comidas, álcool e outros tantos produtos que apontam como ingredientes para uma vida bem vivida.


Às vezes, alguém em pleno surto alcoólico vira herói
Assumir em público ou entre uma roda de amigos que não bebe é até considerado careta ou sinal de moralismo e chatice. Se duvidar, leia com atenção alguns comentários nesse texto.
Na nossa cultura, histórias de bêbados são contadas de forma engraçada e cheias de aventuras. Feliz é quem bebe. Se você não bebe (está implícito), corre o sério risco de se descobrir uma pessoa infeliz.
Ou seja, a associação felicidade-bebida em oposição a infelicidade-abstinência é forjada pela mídia e perpetuada sutilmente pelas pessoas.

O glamour de cada bebida

A cultura do álcool acaba associando as bebidas aos momentos distintos de descontração para induzir ao consumo de acordo com o público-alvo. Cervejas associadas com homens jovens, uísque com homens mais velhos, batidas de vodka para o público jovem em geral (mesmo tradicionalmente sendo dos mais velhos) e os vinhos como bebidas para casais românticos.
Baladas, jantares e happy hours são sempre regados a álcool. As pessoas falam das bebidas como se falassem de amigos queridos que não podem faltar em nenhum ambiente de descontração e paquera. O mais intrigante é ninguém questionar isso.
Por que a leveza, o riso e as paqueras estão sempre sendo intermediadas e facilitadas pelo uso de algum aditivo?
Se no começo uma pessoa bebia porque tinha vida social, do meio para a instalação do alcoolismo, ela tem vida social para beber.

Os adolescentes

A adolescência é a fase mais vulnerável da vida de uma pessoa. Quando já não se tem mais a presença constante dos pais, mas ainda não se tem uma identidade adulta que cria e fortalece a autoestima. Quando se procura uma tribo para se inserir, identificar e criar seu modo próprio de agir.
Nesta fase cria-se uma aversão por qualquer forma de autoridade e regra de vida que venha de pessoas que não são da sua idade. Os garotos com comportamento mais impositivos e as garotas mais carismáticas e sexy tornam-se mais populares e ditam as regras. São eles que decidem quem pertence ou não ao grupo.
Nessa luta por pertencimento – frequente em casos de estruturas familiares frágeis – adolescentes se submetem a qualquer tipo de código de conduta para sentir e mostrar que existem como seres independentes.
Se o álcool é um desses códigos, eles vão beber até cair para passar no ritual de aprovação. Quanto mais fortes forem para aguentar shots de tipos variados de bebidas, mais valor têm no grupo. Como nossa sociedade está carentes de rituais de passagem legitímos, a bebedeira fecha de um jeito estranho essa lacuna importante do desenvolvimento social do jovem.
Se esse adolescente traz consigo problemas de autoafirmação, patologias prévias, comportamento compulsivo e genética desfavorável, a possibilidade de instalar-se o vício desde jovem será bem alta.

Homens bebem mais

O mito de que os homens bebem mais que as mulheres só é justificável pela massa física distinta entre os gêneros. Afinal, o metabolismo de um indivíduo maior dá conta de uma quantidade maior de álcool. Porém, o índice de alcoolismo vem crescendo no público feminino, que em geral toma bebidas mais adocicadas e equiparando-se aos homens.
Vejo apenas motivações diferentes nos gêneros. Os homens buscando projetar uma imagem socialmente mais poderosa, afugentar sua vulnerabilidade  e buscar sua interioridade. E as mulheres usam o álcool como “remédio” para suas dores emocionais.

As fases, os animais e o cérebro com o álcool

Metáforas de animais quando se referindo a pessoas que bebem não estão muito longe da realidade. Ainda que dividam opiniões, são úteis para ilustrar como começa a se comportar o cérebro humano.
A principal e primeira área afetada do cérebro é o córtex frontal (quase na região da testa), responsável – entre tantas funções – por regular os nossos comportamentos sociais e o planejamento futuro. É ali que se concentram os registros de moralidade e noção de consequência.
Por isso, o macaco é considerado o primeiro animal da escala da embriaguez, já que a pessoa fica leve, divertida e desinibida.
Depois, o álcool atinge outras áreas cerebrais como as amígdalas, responsáveis por regular as emoções básicas. O leão e o cordeiro ilustram esta fase, já que a pessoa pode ficar destemida e briguenta (liberando impulsos agressivos reprimidos) ou mansa e chorosa (mais emotiva e amorosa).
Por fim, o porco, por ser a fase final em que todo o córtex é atingido e só permanecem as funções básicas do tronco cerebral que regulam estar ou não em pé, respiração e coordenação motora. Nessa hora o sujeito já está vomitando, entrando em colapso, coma alcoólico e caindo sujo onde estiver. É o apagão total.

Psicopatologias ocultas

Muitas pessoas desconhecem os problemas subliminares do alcoolismo, pois ele costuma ser consequência de psicopatologias pré-existentes que se agravam com seu uso e por isso criam um ciclo destrutivo. A pessoa bebe para não ficar deprimida e fica deprimida porque bebe. O álcool acaba sendo uma maneira ineficaz de automedicação para “ludibriar” os sintomas originais.
Os principais quadros associados ao alcoolismo são:
1. Transtornos de personalidade: transtornos que afetam o humor como quadros de narcisismo, histriônicos, borderline, obsessivos e esquiva.
2. Transtornos de humor: depressão, bipolaridade, distimia.
3. Psicoses: esquizofrenia.
4. Transtornos ansiosos: TOC, ansiedade generalizada, síndrome do pânico, ansiedade social.
Traduzindo, o álcool não cura estas patologias. Ao invés disso, as potencializa. Por esta razão, elas são tratadas em conjunto com médicos, psicólogos e grupos de apoio.
Como esses transtornos possuem componentes genéticos, o risco é ainda maior de sedimentar patologias que poderiam ficar hibernando por toda uma vida.

Psicologia do alcoolismo

O alcoolismo é um tipo de compulsão. Ou seja, a pessoa passa pelas fases de angústia seguida de aumento de tensão, uso do álcool, culpa, remissão e novo ciclo de angústia-tensão-álcool-culpa-remissão.
A pessoa pode já ter bebido muitas vezes e, se estava num estado emocional equilibrado, o álcool foi um distrator menor na sua dinâmica de personalidade. No entanto, se a fase é de baixa e falta de estabilidade, é aí que pode ser criada uma janela de oportunidade para que o alcoolismo se instale.
Então, aquele sujeito que nunca se viu dominado por uma necessidade compulsiva de beber começa a usar níveis cada vez maiores, mais frequentes e irrecusáveis de bebida. De repente, a trama está criada com consequências imprevisíveis na vida de uma pessoa.
Link Youtube
Eric Berne, psicólogo criador da Análise transacional e escritor do livro "Os jogos da vida" diz que não existe um alcoolismo, mas um papel de de alcoólatra que uma pessoa desempenha e que é alimentado inconscientemente por outras figuras. Segundo ele, existem 5 atuantes nesse jogo que podem pertencer a cinco pessoas ou a apenas duas que se revezam nos papéis.
1. Alcóolatra;
2. Perseguidor: cobra, persegue, humilha, costuma ser o parceiro(a) afetivo ou um dos pais;
3. Salvador: médico, terapeuta, amigo, sacerdote que vai tentar livrar o alcoólatra do vício;
4. Otário: aquele amigo que incentiva a bebedeira, paga a bebida ou a própria mãe que financia o filho por medo de que algo pior aconteça ou por fazer de conta que acredita na mentira contada para pedir o dinheiro.
5. O profissional: dono do bar/balada que dá o suprimento do álcool, mas sabe a hora de parar vender, até que o alcoólatra encontre outra fonte de álcool mais permissiva.
Em muitos casos, a mãe/esposa cumpre três dos cinco papéis. O papel 4, arrumando o filho/marido depois da bebedeira. Depois, o papel 2, cobrando e punindo. E, finalmente, o 3 tentando ser a pessoa bondosa que tenta salvar.
Com isso, acaba alimentando e realimentando essa dinâmica doentia onde é a ressaca o principal evento, já que é ali onde o alcoólatra vai em busca da redenção e do perdão. E faz as promessas acompanhadas de autopiedade e autoacusação.
Ele está sempre contando para os outros o quanto sofre e é perseguido por um mundo de pessoas que não o compreendem. É um jogo de desastre-redenção em que se busca um pai severo para dar palmadas em sua bunda. Uma maneira infantil de agir sobre uma vida sempre levada de forma inconsequente e cheia de acusações externas.
O domingo é o dia da ressaca, o sujeito vai reerguendo sua moral na segunda e terça-feira, começa os encontros sociais na quarta e quinta-feira, na sexta-feira já está na febre e o pico do sábado sem limites de semana em semana, sem que ninguém nota como esse indivíduo tão festiva pode ter algum problema sério. Pessoas que sorriem são vistas como felizes. Quem irá reparar no desastre oculto?
Aquela pessoa que era inibida se sente socialmente mais encorajada para paquerar ou demonstrar seus sentimentos de afeto e alegria. Se antes era bloqueada e apática se vê cheia de vivacidade e acaba alimentando esse ciclo de muleta psicológica que no meu entendimento é o principal mantenedor do alcoolismo, muito mais até do que a dependência física, que por si só já é explosiva. Não há palhaço sem um circo ou platéia, não há um bêbado dissociado de um mundo que superestima o álcool e uma família e parceiros amorosos que completam o espetáculo.
É como se todos estivessem na mesma trama de preguiça emocional. O alcoolista usa tanto a muleta que atrofia sua habilidade psicossocial que os outros também se envolvem num drama sem fim, nunca assumindo suas próprias dores, já que têm uma pessoa “tão doente” ao lado. A casa emocional de todos está em ruínas, mas a mais gritante é daquele que termina caído na sarjeta.
Acredito que uma vida genuína é aquela que consegue transcender os papéis típicos que giram em torno da tríade neurótica vítima-algoz-salvador para assumir um protagonismo consistente e transformador do mundo interno e externo.

Por que alimentamos essa cultura?

Eu respondo com outra pergunta: por que o álcool deveria perder o prestígio se ele causa tanta felicidade?
Entre numa roda de amigos que já estão alterados e as histórias são previsíveis: acontecimentos de outros carnavais “engraçados”. O amigo que perdeu a estação de trem porque estava bêbado, o outro que enfrentou o segurança da balada e saiu com olho roxo, a menina que não faz ideia de onde foi parar no celular, aquele que beijou muita mulher mas não lembra quais foram da metade da balada para frente, o sujeito que caiu da área VIP e arrebentou o cóccix.


Alguns copos depois e eles não lembram de onde surgiu a cabra
Nada grave, tudo diversão. E de história em história criamos a celebração do desastre como pico da alegria. Alguém tem que sair vitimado por algum tipo de agressão física, verbal ou social para render boas risadas.
Aqueles que se sentem excluídos acabam entrando na roda para ser o palhaço da vez e assim se sentirem inseridos no grupo daqueles que aguentam muita bebida na cabeça.
Se você não bebe, não é boa companhia e não vai criar histórias “uhuuuu!!! Loucura total mêo!”

A família

Como eu descrevi acima, todos fazem parte do jogo e realimentam o tormento do alcoolismo. Por esse motivo existem grupos de co-dependentes do álcool, pois todos acabam fazendo parte do drama e da doença.
Existem ganhos secundários para aqueles que estão envolvidos indiretamente com o álcool. Eles se sentem importantes (ao tentar ajudar) e diferentes do parente alcoolista (por não beberem). Com isso, fogem à própria tarefa de desenvolvimento pessoal enquanto são vistos como mártires de uma causa nobre ou acusadores que atacam mas com justiça, afinal de contas quem suporta um bêbado em casa?
Se o dependente é um jovem, a mãe super-protetora se sente no seu papel eternamente e, sem o saber, realimenta essa loucura familiar já que sempre terá um filho pelo qual lutar e cuidar. Como expliquei em meu livro "Mães que amam demais" o cenário para essa mulher perceber a dependência emocional de seu filho alimentada pelo álcool não é fácil, mas é o ponto central de alavancagem para a solução do conflito.

Possíveis caminhos e soluções

Sempre vejo um tripé que pode amenizar qualquer tipo de problema psicológico: o suporte físico, psicológico e social.
O tratamento físico acontece com o suporte médico, com medicamentos que ajudem a aplacar os sintomas-sequelas da abstinência do alcoolismo, assim como as psicopatologias subjacentes ao vício. Além disso, práticas físicas e alimentação adequada ajudam a recuperar o quadro.
O tratamento psicológico pode ser feito com psicoterapia associada a práticas recreativas de lazer, trabalho voluntário, práticas meditativas e buscas espirituais.
O tratamento social é feito pelo dependente e seus familiares em grupos de apoio como o Alcoólicos Anônimos e os grupos de co-dependentes Al-anon. Além disso o engajamento em grupos de amigos com dinâmicas mais positivas e comunidades religiosas (que fortalecem o indivíduo com buscas de autoconhecimento e pessoas com objetivos comuns).
Na maior parte dos casos, vejo que o desafio principal não é apenas parar de beber, mas encontrar uma função social significativa para o ex-dependente. É muito comum perceber que aqueles que se recuperaram agem como prisioneiros que foram soltos após muitos anos de carceragem. Ou seja, não sabem como agir quando não estão arranjando problemas, vivendo aventuras alcoólicas ou se redimindo de familiares ressentidos.
Como sempre buscaram a socialização com a ajuda do álcool, muitos precisam aprender a paquerar, trabalhar, aguentar as pressões da vida e sorrir de forma autônoma, sem aditivos. E muitos deles se descobrem solitários, mau humorados ou impregnados de autopiedade. E com um agravante: agora são diagnosticados como doentes.
Não gosto de tratar o alcoolismo como uma doença, mas como um jogo psicológico que tem raízes culturais, sociais, familiares e psicológicas, num mundo onde é só mais um dos inúmeros jogos que nos distraem do verdadeiro sentimento de intimidade emocional que tanto buscamos mas tememos.
Quando pudermos viver de um jeito em que o papel do campeão não seja necessário para sentir o direito de pertencer e ter dignidade psicológica e social, abriremos caminho para que não hajam pessoas que encarnem o script de perdedores , fracassados, degenerados.
O alcoolismo não se restringe ao álcool, mas a uma série de comportamentos, valores e visões de mundo que precisam do bode expiatório que pague um preço alto enquanto o restante do mundo permanece paralisado em suas vidas autocentradas, apontando o dedo para condenar, ou se calando e sentindo uma vergonha alheia inoperante.
O alcoolismo começa no falso modo em que encaramos a ideia de felicidade. É na mudança dessa visão cheia de miragens que a superação do problema começa de verdade.