20 janeiro 2015

FLERTANDO COM O DESASTRE - ÁLCOOL E DIVERSÃO



Por que as pessoas andam saindo para lugares classificados como “insuportáveis” e usam álcool para conseguir suportar esses lugares? Não seria mais sensato frequentar lugares agradáveis e não precisar beber? 

FATO: diversão está associada necessariamente a bebida alcoólicas pessoas parecem ter o conceito de diversão e álcool tão enraizado que o não poder beber vira sinônimo de nem ao menos tentar se divertir: “Não vou sair porque estou tomando antibiótico e não posso beber” eu ouvi de um amigo. Indagado porque não sairia sem beber, a resposta foi chocante: “Não dá para encarar uma boate de cara limpa, é horrível demais”. Por caridade, se acha o lugar horrível e precisa beber para tolerá-lo, porque merda continua frequentando esse lugar ?

Não estou falando de adolescentes, me refiro a pessoas que já passaram dos 30 e continuam se portando como se diversão estivesse umbilicalmente ligada a bebida. Gostar de beber é uma coisa, PRECISAR beber para se divertir é outra. PRECISAR beber para se divertir me parece um sinal de alerta para uma série de coisas muito erradas. Que pessoa é essa, que em seu estado normal, não consegue socializar, flertar, se sentir descontraído? Bebida virou muleta social e aparentemente ninguém acha isso um problema ou um sintoma. No país do “se todo mundo faz, é aceitável”, bebida como necessidade já foi mais do que consolidado.

A situação é tão crítica que quem não bebe sofre “bullying” por parte de quem bebe. A quem não bebe é imputada uma fama de não saber se divertir, de ser uma pessoa chata e até mesmo de “anormal”. Quando morava no Rio de Janeiro, chegaram a me perguntar se eu usava Ecstasy, pois o não beber por opção era tão inconcebível que a presunção sempre era a de existir um fator externo impeditivo. Aparentemente, para se divertir você tem que beber e tem que sair para alguma balada. Quem se diverte lendo um livro ou vendo um bom filme ou seriado é estranho e será discriminado.

Porque tem a Patrulha da Diversão Alheia, figuras nefastas e mal educadas que toda segunda-feira te perguntam “E aí? Fez o que no final de semana?”. Não te interessa. Mas não dá para responder assim, porque você sai de mal educado. Fala que você ficou em casa lendo um livro e adorou para você ver a reação. Os fiscais da vida alheia continuarão perguntando e, com o passar do tempo, se for constatada uma baixa atividade de balada, podem até mesmo fazer uma intervenção para te chamar a atenção sobre o quanto você não aproveita a vida.

Não aproveita a vida quem está frustrado. Seja frustrado porque queria sair e ficou trancado em casa, seja frustrado porque no fundo queria ficar em casa mas se forçou a sair. Sim, isso existe. Pessoas que se sentem compelidas por uma obrigação social de sair quando o que mais queriam é ficar em casa. “Vou me forçar a sair”. PORQUE? Sério mesmo, porque? Trabalhou a semana toda, o cansaço é extremo, vai ser forçar a sair PORQUE? E que porra de lugares são esses que vocês andam saindo que “não dá para encarar” se estiverem sóbrios? PORQUE? Porque ir a um lugar que é intragável sem algo que entorpeça seus sentidos? Pior: porque PAGAR para entrar em um lugar desses? Porque fazer fila para entrar em um lugar desses? Estão todos loucos? Só eu que não vejo sentido nisso tudo? Devo estar ficando irremediavelmente velha e ranzinza.

Se alguém me falar que quer ir a um lugar desses porque está solitário e quer conhecer pessoas legais eu vou rir. Em baladas, noitadas ou seja lá como se queira chamar não se conhecem pessoas legais, aliás, não se conhecem pessoas, apenas se esbarra nelas, pois além do teor alcoólico estar elevado, igualmente está a música e a superlotação. Quem quer bater um bom papo se encontra com amigos, conhecidos ou até mesmo com desconhecidos em um ambiente “conversável”. Bem, pelo menos no meu tempo, conhecer alguém implicava em conversar com a pessoa e não e meter sua língua dentro da boca dela. Talvez eu seja uma romântica incurável.

Há quem diga que gosta de dançar. Respeito, acho a dança um motivo válido, mas porra, vai gostar de dançar assim na puta que pariu: faz fila, paga caro, fica em uma muvuca danada, em cima de um salto… sei lá, uma aula de dança me parece menos sacrificante. Ou bailes exclusivamente realizados para quem quer dançar. O ponto é: se vai para dançar e se acha que vale a pena tudo isso para dançar, porque PRECISA beber para encarar um lugar desses? Sinal de que o lugar não é agradável. Coloca um micareteiro em uma micareta sóbrio e observa quanto tempo ele fica por lá. Coloca uma pessoa em uma boate da moda sóbria a noite toda e cronometra. Por incrível que pareça, pessoas não escolhem os lugares que frequentam por gostar deles e sim por outros fatores e usam o álcool como arma para tolerá-los.

Daí eu me pergunto qual será a porra do critério que as pessoas andam escolhendo para definir seu lazer. Talvez seja o critério do “socialmente aclamado”, lugares da moda ou lugares que tem o aval social como sendo bacanas. Porque contrariar o grupo é um risco grande demais para se correr. É quase que uma adolescência tardia, onde a pessoa não tem coragem de dizer “Não vou, acho um lixo”, pois tem medo que ao não se identificar com o grupo seja rejeitada por ele. Ser rejeitado pelo grupo é o primeiro sinal de que uma pessoa é interessante, aos meus olhos.

Talvez muita gente não queria passar atestado de “encalhe”. Tem que sair, tem que dar um chupão na boca de alguém, por mais insignificante que isso seja no contexto da vida da pessoa. Mas carimbou seu “não encalhe” na cara da sociedade! Mas olha… já passei meses sem sair de casa, de pijama, meia e box de seriado nas mãos em plena felicidade nos meus finais de semana. Não é isso que faz de uma pessoa uma encalhada. Mas o importante não é não ser encalhada, é não PARECER no encalhe, porque as aparências são o que contam. E, em nome das aparências, as pessoas se arrumam, mesmo estando cansadas pra caralho, fazem fila, pagam caro e se forçam a ficar em um lugar que não gostam, bebendo para atenuar o desconforto que o local provoca. Juro, vou morrer sem entender.

Pelo sagrado direito de ficar em casa, com meias, vendo um filme ou um seriado, eu os convoco a uma reflexão: vocês efetivamente gostam dos locais para onde andam saindo? O que os leva a escolher estes locais como seu lazer? Todas as vezes que vocês saem efetivamente tem vontade de sair? O que os move? Até que ponto a pressão social está determinando sua vida social? Até que ponto seu lazer é determinado pelo que você tem vontade de fazer e até que ponto é comandado pelo que você tem vontade de aparentar?

Um fenômeno muito comum em algumas cidades: pessoas que vão para a porta de shows, festas, eventos, boates e cia apenas para tirar fotos e postar em redes sociais, de modo a que seus amigos pensem que efetivamente a pessoa esteve no evento. Depois das fotos, a pessoa se retira para o conforto do seu lar, ou vai fazer um lazer mais em conta, como tomar uma cerveja em um posto de gasolina. A pessoa se arruma toda apenas para tirar uma foto, de modo a dar satisfações para a sociedade. Já cheguei ao cúmulo de ver gente fazendo isso e depois dizendo “Não entro nem a pau, estou morta, quero minha cama!”.

O curioso é que se estendermos esse mecanismo de álcool se tornar um viabilizador para outras áreas, aí sim há repulsa social: “Só consigo ficar com o Fulano(a) se eu estiver completamente bêbado(a)”. O que uma pessoa sensata aconselharia? Provavelmente a não ficar mais com o Fulano, pois se precisa encher a cara para conseguir aturá-lo, tudo indica um claro sinal de incompatibilidade. Infelizmente o mesmo raciocínio não vale para o lazer. É socialmente aceita a necessidade de álcool para diversão, assim como também é socialmente aceito sair para onde não se gosta e aplacar esse desgosto com álcool.

O pior é que muitas vezes sobram opções. Vejo pessoas no Rio de Janeiro, um local com uma relativa fartura de lazer, se rendendo a essa armadilha. Vejo pessoas em São Paulo fazendo o mesmo. PORQUE? Porque insistir em um lugar que não dá para ir de cara limpa? É o mesmo que almoçar todos os dias uma salada que tem um gosto tão ruim que só pode ser engolida se a pessoa encher a salada de molho. Existem opções, meu povo! Qual é a necessidade disso?

Bem, sempre temos que trabalhar com a hipótese da pessoa que não é capaz de se divertir EM LUGAR NENHUM sem bebida. Pessoas assim existem (Alicate? Oi?). Aleijados emocionais, deficientes sociais, que precisam do entorpecimento do álcool para interagir com outros seres humanos em eventos de lazer. Pessoas que dependem desse entorpecimento para relaxar, para se distrair, para rir e para brincar. Álcool como regulador de humor, álcool como muleta social. Depender de qualquer substância é muito triste, mas mais triste ainda é aceitar essa dependência, se acostumar a ela e ainda discriminar quem não a tem como se o correto fosse ser dependente.

O Brasil está repleto de cachaceiros e não há vergonha em se embebedar. Muito pelo contrário, o fato é narrado nos dias que se seguem como um grande feito, uma aventura. Gente que não tem dinheiro para colocar os filhos em uma boa escola ou pagar um plano de saúde, mas sempre tem dinheiro para fazer um pit stop em um bar e garantir a cachacinha ou a cervejinha. Os bares estão cheios. Quem não tem dinheiro sobrando (e hoje em dia, quem tem?) faz uma ESCOLHA ao beber rotineiramente: deixa de proporcionar algum conforto para sua família para se encachaçar. Vai entender as prioridades desse povo… O grande problema é o julgamento seletivo! Se uma mulher deixa de pagar uma boa escola para o filho, mas é vista comprando um sapato caro, todo mundo cai da pau em cima, mas se é o homem gastando com cachaça, a sociedade compreende e bate palmas. E olha que no fim do mês beber custa bem mais caro que um par de sapatos.

Bebida virou um componente social que gera status. Beber é nobre, beber é necessário. Se exercitar que é bom, neguinho não faz. Estudar para ganhar melhor e se aprimorar profissionalmente também não. Mas neguinho vai para qualquer porra de programa furado de merda que tenha bebida. Se shopping tivesse bebedouro de cerveja, todo marido acompanharia sua esposa nas compras com o maior prazer. Tal qual cães que deitam e rolam por um osso, pessoas se sujeitam a todo tipo de desconforto se lhes for dito que haverá bebida. Que tipo de gente submissa é essa que aplaca tudo com bebida? Na boa, tem coisas que eu não aturo nem bêbada! Mas neguinho topa tudo quando se encachaça, vide o dito popular “cu de bêbado não tem dono”. Sim, no Brasil há um dito popular para exaltar como a pessoa topa tudo quando bebe. Parabéns, viu? Eu sei que bebida flexibiliza o filtro, mas no Brasil parece que ela o elimina por completo.

Isso porque o consumo excessivo de álcool faz mal à saúde, uma tecla na qual nem pretendo bater, porque não é o objetivo do texto. Que porra de sociedade intragável é essa, de pessoas e lazeres cagados, que obriga seus membros a se entorpecerem com algo que faz mal à saúde para poder suportar estas pessoas e lazeres cagados? Tem algo errado, e as pessoas parecem não estar nem próximas de começar a perceber isso. Enquanto a cachacinha estiver liberada e for socialmente permitido se valer deste mecanismo de negação, tudo continuará como está.

Fico me perguntando se as pessoas sabem que existem outras formas de lazer. Quero dizer, hoje em dia as pessoas estão tão no “piloto automático” que talvez nem cogitem outras modalidades de lazer. Talvez no grupo no qual você está inserido ela não exista, mas seu grupo não traduz a realidade das coisas. O mundo é maior do que isso. Reflita até que ponto é saudável PRECISAR de álcool para aturar um determinado lugar e até que ponto não seria mais saudável buscar um lugar que proporcione prazer mesmo sem álcool. Reflita se é normal frequentar sistematicamente um lugar que no fundo você acha uma merda.

Essa mania que as pessoas tem de se divertir em bandos… parecem animais. Diversão solitária para brasileiro médio é apenas sinônimo de masturbação.

Fonte : Desfavor / www.facebook.com/vencendooalcoolismo.com.br

UMA CERVEJA "SEM ÁLCOOL" COM ÁLCOOL, FALA SÉRIO !



Por meio do processo de fabricação, a cerveja fica com um teor alcoólico menor do que 0,5% de álcool, sendo estranhamente considerada como não alcoólica.

Um desrespeito total a quem por algum motivo são impedidos de consumir álcool, acreditaram na informação da empresa e beberam de seu produto sem imaginar as possíveis consequências. 

Pessoas alérgicas, sensíveis ao álcool; usuários de medicamentos incompatíveis com a ingestão de bebidas alcoólicas; e dependentes químicos em tratamento de reabilitação foram enganados pela empresa que só visa lucro independente da saúde de seus consumidores. 

Nota : Cerveja sem álcool é igual travesti: a aparência é igual, mas o conteúdo é bem diferente !

Fonte : www.facebook/vencendooalcoolismo.com.br

EU MUDEI, E VOCÊ ?


Eu era totalmente escravo, dependente, um trapo.
Os problemas sempre irão existir, mas, sinceramente? Não são tão grandes como eu os pintava. Nem sou o único a tê-los, como eu imaginava. Não sou o pior, muito menos o melhor, como eu achava ser. Sou apenas mais um.

E hoje, com muito orgulho, sou mais um que derrotou o alcoolismo..
Hoje estou do outro lado do jogo. Jogo no time dos vitoriosos. Sou procurado para opinar, para ouvir, alguns até me pedem ajuda ...

Quem diria ?

Misael Barboza - Abstinência desde Outubro/2007


Fonte : www.facebook.com/vencendooalcoolismo.com.br

02 janeiro 2015

PESQUISADORES INOVAM PARA TESTAR MEDICAMENTO CONTRA O ALCOOLISMO


E você ainda continua achando que alcoolismo não é doença ?
Instituto cria 'bar' em hospital para testar droga contra abuso de álcool
Réplica de bar vai ajudar a checar se medicamento faz efeito.
Projeto é dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos.
Parece um bar como qualquer outro: garrafas de tequila e de vodca enchem as prateleiras, a iluminação é fraca e, nas paredes, há pôsteres de bebida. Mas ele fica dentro de um hospital. Pesquisadores dos Instutos Nacionais de Saúde (NIH) dos Estados Unidos criaram uma réplica de bar para testar um novo tratamento para ajudar pessoas que bebem muito álcool a diminuir o consumo.
A ideia é que, ao se sentar no bar-laboratório, o cérebro dos voluntários sinta vontade de beber, ajudando a determinar se o medicamento experimental é capaz de conter esse desejo.
Água colorida
A verdade é que as garrafas estão cheias de água colorida. O álcool de verdade fica fechado na farmácia do hospital e é usado para que os voluntários possam sentir o odor da bebida e para testar se a droga é segura caso as pessoas bebam depois de consumi-la.
"O objetivo é criar um ambiente quase do mundo real, mas controlá-lo de forma estrita", diz o líder da pesquisa, Lorenzo Leggio, que está testando como um hormônio chamado grelina, que instiga o apetite das pessoas por comida, também afeta o desejo por álcool, e se bloqueá-lo funciona,
Problemas relacionados ao abuso de álcool afetam uma parcela grande da população e apenas uma fração pequena recebe tratamento. Não há uma terapia que serve para todos e o NIH está estimulando uma busca por novas medicações que tenham como alvo os processos do cérebro envolvidos no vício.
"Alcoólatras vêm em muitas formas", explica George Koob, diretor do Instituto Nacional de Abuso de Álcool e Alcoolismo (NIAAA) do NIH.
QUAL É O LIMITE ?
Mas qual é o limite? Segundo o NIAAA, beber com "baixo risco" significa não mais do que 4 doses em um mesmo dia e não mais do que 14 em uma semana para homens e não mais do que 3 doses por dia e 7 por semana para mulheres.
Os genes também têm um papel em determinar quem tem mais risco de abusar do álcool, assim como fatores ambientais.
Os tratamentos podem variar desde internações para reabilitação até terapia comportamental e há poucos medicamentos disponíveis hoje. Koob, que é especialista na neurobiologia do álcool, diz que geralmente é preciso uma combinação de várias estratégias e, em última instância, "você tem que mudar sua vida".
O hormônio que está sendo testado no bar-laboratório, a grelina, pode ter relação tanto com o consumo excessivo de comida quanto com o abuso de álcool. Em um estudo recente, voluntários receberam diferentes quantidades do hormônio e seu desejo de beber álcool variou de acordo com a quantia de hormônio consumida.
Agora, Leggio está testando se bloquear a ação da grelina levaria também ao bloqueio da vontade de beber álcool.
Fonte : G-1 - 02/01/2015